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Pesquisa feita pela Fundação Procon de São Paulo revelou que mais da metade dos consumidores já foi vítima de discriminação por condição financeira, etnia ou gênero

Agência Brasil

Consumidores na 25 de março arrow-options
Renato S. Cerqueira/Futura Press
Segundo pesquisa feita pela Fundação Procon de São Paulo, mais da metade dos consumidores já foi discriminado.

Pesquisa da Fundação Procon de São Paulo com 1.659 consumidores revela que 55,1% (915) deles já sofreram discriminação ao ir às compras. A discriminação pela condição financeira atingiu 60,77%; em seguida estão as discriminações por racismo, 15,96%, e por ser mulher, 8,2%.

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De acordo com o Procon, a Lei 7.716 de 1989 define crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. E entre as condutas delituosas estão as práticas de recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial. Quem discrimina também infringe o Código de Defesa do Consumidor.

Em relação ao gênero, a maioria dos casos ocorreu com mulheres cisgênero (quando a identidade de gênero está alinhada ao sexo biológico). Ao considerar a relação entre identidade de gênero e o número de entrevistados de cada grupo, no entanto, a maior incidência de discriminação ocorre entre homens transgêneros (quando a pessoa não se identifica com o sexo biológico), alcançando 62,07%.

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O mesmo ocorre em relação à raça/cor. A maioria discriminada é da cor branca, 53,88%. Mas considerando a relação entre cor e número de entrevistados de cada classificação, o percentual é de 65,38% para os de cor preta. Os entrevistados da cor preta, portanto, foram mais discriminados. Dos 182 que se identificaram dessa cor, 119 já sofreram discriminação .

Para 73,22% dos entrevistados, o ato discriminatório foi sutil/camuflado. Em relação ao local da ocorrência, 36,17% declararam ter sido em uma loja (de roupas, calçados, eletroeletrônicos, entre outras), 16,28% em estabelecimento financeiro (banco, financeira, seguradora e similares), 8,31% em shopping center, 5,90% em estabelecimento que servem refeições e 5,14% em concessionária de serviço público.

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A partir de algumas alternativas indicadas no questionário, os consumidores entrevistados responderam de que maneira ocorreu a discriminação. Para 36,94%, o atendimento foi recusado e/ou retardado. Mais de 20% disseram ter sofrido algum tipo de agressão moral e/ou física e 16,72% presenciaram alguma prática que induziu ou incitou o preconceito ou prática discriminatória a uma condição para a qual se sentiram atingidos. Mais de 56% dos discriminados não registraram denúncia sobre o caso.