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Média está em uma vítima a cada dois dias para este tipo de ocorrência; Dados fazem parte de um levantamento da plataforma Fogo Cruzado

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Pixabay
Número de pessoas atingidas por balas perdidas no Rio de Janeiro já atingiu marca centenária neste ano

A Região Metropolitana do Rio de Janeiro chegou nesta terça-feira (16) à marca de cem pessoas baleadas por bala perdida em 2019. Gessi Gonzalez Camargo, atingido no início desta tarde em Bento Ribeiro, foi a centésima vítima. Ele foi baleado nas costas quando um motorista reagiu a uma tentativa de assalto no bairro da Zona Norte e tem estado de saúde estável.

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A média está em uma vítima a cada dois dias para este tipo de ocorrência na região do Grande Rio de Janeiro. Os dados fazem parte de um levantamento da plataforma Fogo Cruzado obtido com exclusividade pelo DIA.

No ano passado, a marca veio seis dias mais tarde, no dia 22 de julho de 2018, quando um engenheiro foi atingido também durante uma tentativa de roubo de carro, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. Na ocasião, outras duas pessoas foram feridas .

Dos 100 baleados por bala perdida no Grande Rio este ano, 25 morreram e 75 ficaram feridos. As vítimas deste tipo de ocorrência este ano morreram mais do que as cem primeiras vítimas do ano passado. Em 2018, dentre os cem primeiros vitimados pela ocorrência, 21 morreram e 79 sobreviveram. O aumento em 2019 foi de 19% de vítimas fatais.

Entre os bairros, o Complexo da Penha foi o que registrou mais vítimas de bala perdida . Foram oito moradores ou frequentadores atingidos. Em seguida vêm Complexo da Maré (4), no Rio, Jóquei Clube (4), em São Gonçalo, Manguinhos (4), Catumbi (3), Complexo do Alemão (3), Costa Barros (3) e Marechal Hermes (3), na capital fluminense.

Dentre os cem baleados por bala perdida em 2019, sete são crianças, com até 12 anos, onze são adolescentes, até 18 anos, e oito são idosos, com mais de 60 anos. Três agentes de segurança também foram baleados apesar de não participarem de confronto. Neste grupo, morreram em decorrência do ferimento duas crianças, dois adolescentes e três idosos. Seis cachorros também morreram vitimados por bala perdida no Grande Rio e todos morreram. Além deles, outros dois animais foram baleados intencionalmente este ano.

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As 100 vítimas de bala perdida registradas representaram 6,5% do total de baleados no Grande Rio este ano, que estão em 1655. Este número inclui vítimas que foram atingidas deliberadamente, como em confronto entre grupos criminosos, ações policiais, roubo e homicídio .

Por seis vezes balas perdidas não fizeram vítimas, mas assustaram. Por duas vezes os projéteis caíram em quarto de criança, uma vez atingiu a parede de um hospital, outra o vidro de um carro. Projéteis também atingiram uma cozinha e um refeitório de colégio.

Municípios com mais balas perdidas

O município do Rio de Janeiro concentrou o maior número de vítimas de balas perdidas: foram 62. A capital foi seguida por São Gonçalo, com 19 casos, Niterói (7), Belford Roxo (4), Duque de Caxias (2), Itaboraí (2) e Nilópolis (2).

Zona norte concentra vítimas

A zona norte teve 45 baleados por bala perdida e foi a região mais afetada por esse tipo de ocorrência no Grande Rio. Com 27 casos, o Leste Metropolitano – formado pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá –, aparece em segundo lugar. A Zona Oeste do Rio teve oito vítimas de bala perdida. Completam este ranking Baixada Fluminense (7), Centro (7) e Zona Sul do Rio (2).

Áreas com UPPs

A Plataforma Fogo Cruzado também mapeou as áreas com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) que mais sofreram com a ocorrência. São elas: Complexo da Penha (8), Complexo de Manguinhos (4), Complexo do Alemão (3), Providência (2), Barreira do Vasco/Tuiutí (1); Jacarezinho (1); Mangueira (1) e São João (1).

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