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Presidente do Ipea afirma que impacto com despesas de segurança é a parte 'mais cruel' do custo Brasil; confira mais dados do Atlas da Violência

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Fernando Frazão/Agência Brasil
Violência custa 6% do PIB do Brasil, diz Atlas da Violência

A divulgação da nova edição do Atlas da Violência , nesta quarta-feira, apresentou o avanço do número de mortes violentas em diversos estados e trouxe também um levantamento sobre o impacto econômico da violência em todo o país.

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 Segundo os organizadores do estudo, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), as despesas com segurança pessoal e segurança pública equivalem a cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil - que foi de R$ 6,6 trilhões em 2017, ano das estatísticas utilizadas no Atlas da Violência

O presidente do Ipea , Carlos von Doellinger, declarou em entrevista coletiva nesta quarta-feira que o custo da violência é a parte "mais cruel" do custo Brasil.

"Esse custo da violência é a mais cruel do custo Brasil, os ônus que pesam sobre a atividade econômica. A criminalidade passou a ser, há um bom tempo, uma preocupação. Essa vulgarização do crime e do desprezo pela vida humana nos mostra um dado bem ruim da nossa realidade, que precisa ser superado com políticas públicas", declarou Doellinger.

Assinado por 13 pesquisadores, o Atlas da Violência foi elaborado com registros oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde (SIM/MS). A divulgação do relatório aconteceu nesta quarta-feira na sede do Ipea, no Centro do Rio.

O Atlas da Violência apresenta também um quadro preocupante relacionado às mortes de jovens (entre 15 e 29 anos) no país. O estudo alerta que, "além da tragédia humana, os homicídios de jovens geram consequências sobre o desenvolvimento econômico e redundam em substanciais custos para o país", por se tratar de uma faixa etária em idade economicamente ativa, em um momento no qual o país passa por um processo de transição demográfica e envelhecimento da população. 

De acordo com o estudo , as mortes violentas de jovens já haviam custado cerca de 1,5% do PIB nacional em 2010, ano em que o Brasil registrou 28.562 homicídios de pessoas na faixa etária entre 15 e 29 anos. Em 2017, por sua vez, o número chegou a 35.783 homicídios de jovens, representando aumento de 25% no período.

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A edição atual do Atlas da Violência mostrou ainda que o número de pessoas assassinadas com armas de fogo cresceu 6,8% no país entre 2016 e 2017 . O aumento acompanha a tendência do número total dehomicídios. Em 2017, 65.602 mil pessoas foram mortas no Brasil — um crescimento de 4,2% em relação ao levantamento anterior — sendo que 47.510 mil (72,4%) foram mortas por tiros.