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Confrontos entre líderes da Família do Norte deixaram 55 mortos em quatro presídios de Manaus; força-tarefa será enviada ao estado nesta terça-feira

presídio
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 23.1.17
Portão principal do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, Amazonas

Após confrontos generalizados em quatro presídios de Manaus, no Amazonas, nove líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN) serão transferidos para penitenciárias federais de segurança máxima. Ao menos 55 detentos foram assassinados em 48 horas.

No domingo, uma briga  entre os presos deixou 15 mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado na BR-174, em Manaus, durante o período de visitação de familiares. O presídio é o mesmo onde 56 detentos foram mortos em janeiro de 2017, após uma rebelião em meio a uma disputa entre facções.

O Ministério Público atribui as mortes a um racha entre líderes da Família do Norte: os fundadores José Roberto Fernandes, conhecido como “José Compensa”, e João Pinto Carioca, o "João Branco”. Criada em 2007, a facção é a maior organização criminosa do Amazonas. Os 15 assassinados no domingo seriam alinhados a José Compensa. 

Na segunda-feira, agentes penitenciários encontraram  mais 40 corpos em quatro presídios do estado, a maior parte por asfixia e perfurações. Desses, quatro estavam no Compaj, cinco no Centro de Detenção Provisória Masculino 1, seis na Unidade do Puraquequara e 25 no Instituto Penal Antônio Trindade. 

Após o caso, o Ministério da Justiça confirmou a transferência de 9 líderes da facção para presídios federais nesta semana. O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC) disse ainda, em entrevista à rádio CBN , que o número pode chegar a 20. "Estamos fazendo um trabalho de investigação e é possível que haja mais de 20 líderes nesse grupo criminosos. Já conseguimos a identificação de nove. Nove estão confirmados e devem ser transferidos ainda esta semana". 

De acordo com o governador, 200 presos foram retirados das celas e isolados para evitar mais confrontos. Lima também  conversou com o ministro Sérgio Moro, que informou que 20 homens de uma força tarefa serão encaminhados a Manaus hoje e mais 100 chegarão até o fim da semana.