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Prefeito da cidade diz que eles já estão "preparados para o pior" e que não vai aceitar mortes em caso de acidente; deslocamento já de 18 cm, diz ANM

 Barão de Cocais
Divulgação/Vale
Por risco de rompimento em barragem da Vale em Barão de Cocais, 500 pessoas foram evacuadas da cidade

A Agência Nacional de Minaração (ANM) informa que a barragem da Mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, deve se romper ainda durante este fim de semana. De acordo com o órgão, o deslocamento da talude da mina já chegou a 18 cm em alguns pontos e o rompimento pode acontecer "a qualquer momento".

Ainda segundo a ANM, é possível que o rompimento da talude cause uma reação em cadeia que provoque o colapso total da barragem. Por outro lado, també existe a possibilidade em um acidente menor, com transbordamento da água para os rios da região. 

O prefeito de Barão de Cocais , Décio Geraldo dos Santos (PV), falou que a cidade já está "preparada para o pior"

"Nós fizemos a lição de casa. Já disse ao tenente coronel Flávio Godinho (da Defesa Civil de Minas, que também atuou em Brumadinho) que não aceito mortes no município. Estamos preparados para o pior, exatamente como deveríamos", garante Santos.

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A ideia encampada pelo prefeito, junto à Vale e à Defesa Civil, é que todos deixem suas casas a pé, inclusive idosos, e corram em direção a um dos sete pontos de encontro espalhados pelas ruas cocaienses. A recomendação é que ninguém tente dirigir o próprio carro para fugir da lama, nem mesmo o principal nome do Executivo da cidade.

"Se a barragem se rompesse agora, enquanto estou no meu gabinete, eu sairia calmo daqui até um ponto de encontro, ciente de que poderia salvar a todos. Ligaria para todas as pessoas que preciso para manter todos em segurança, inclusive os acamados. E não usaria o meu carro, precisamos de todos a pé",  explica o prefeito.

Outra principal crítica do prefeito é em relação à falta de apoio da Vale à gerência municipal. Ele acredita que falta apoio financeiro para as 400 pessoas que precisaram deixar as próprias casas, abandonando imóveis e pertences. O mesmo desalento é sentido no hospital municipal, onde os atendimentos, segundo Santos, têm aumentado.

"É fato que não estamos sendo acolhidos da maneira que merecíamos. Pedi à Vale que dragasse o rio, eles têm máquinas para isso. Não fizeram. Também pedi apoio com o hospital: temos pessoas precisando de atendimento o tempo todo, por nervosismo. Essa ajuda ainda não veio. Temos comunicação direta com o setor de Relações Institucionais da mineradora, mas a eficácia é pouca", acusa o prefeito.