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Oito testemunhas de acusação sobre a morte do músico Evaldo Rosa e do catador Luciano Macedo foram ouvidas nesta terça-feira

Carro fuzilado no Rio
Fábio Teixeira / Parceiro / Agencia O Globo
Carro onde estava o músico Evaldo dos Santos Rosa e sua família foi atingido por 80 tiros disparados por militares do Exército

A Justiça Militar ouviu nesta terça-feira (21) oito testemunhas de acusação sobre a morte do músico Evaldo Rosa e do catador Luciano Macedo, baleados durante operação envolvendo soldados do Exército, no dia 7 de abril , no bairro de Guadalupe, na Vila Militar, zona norte do Rio de Janeiro. Doze militares foram denunciados e nove continuam presos.

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Evaldo estava com sua família, indo para um chá de bebê, quando se deparou, por volta das 14h30, com uma patrulha do Exército do Rio . Em seguida, o veículo foi atingido por tiros. O músico morreu e o sogro dele, Sérgio Gonçalves, ficou ferido. Os demais ocupantes – a esposa de Evaldo, Luciana dos Santos, o filho de 7 anos e a amiga do casal, Michele da Silva Leite – não foram atingidos.

Em depoimento, Sérgio, Luciana e Michele contaram que o veículo foi alvo de tiros disparados por militares . O catador Luciano passava pelo local na hora e foi socorrer a família, quando também foi atingido. A mulher de Evaldo pediu, antes de depor, que os militares fossem retirados da sala, o que foi determinado pela juíza que conduz o caso, Mariana Aquino Campos.

O advogado assistente da acusação, André Perecmanis, espera que os militares sejam responsabilizados. A manutenção da prisão será decidida na próxima quinta -feira (23), pelo Superior Tribunal Militar (STM), em Brasília. “É importante que todas as testemunhas sejam ouvidas e no futuro, quem sabe, se o juízo entender que eles podem responder em liberdade, aí a gente verifica”, disse Perecmanis.

Para o advogado de defesa dos militares, Paulo Henrique Pinto de Melo, é preciso aguardar o desenrolar do processo. "Faltam muitas diligências, muitos interrogatórios, e ninguém aqui demonstrou que os militares são executores, são assassinos. Eles agiram em legítima defesa de terceiros."

Também depuseram a esposa de Luciano, Daiane Horrara, um homem que teve o carro roubado, semelhante ao das vítimas, na ocorrência de mais cedo, e moradores de um prédio que fica em frente ao local onde o fato aconteceu.

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Na próxima semana, serão ouvidas testemunhas de defesa dos militares. Depois, eles serão interrogados individualmente.