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Após erro com RG roubado, análise das digitais levou ao nome de Adélia Xavier; ela foi baleada durante confronto entre GCM e usuários de droga

cracolândia
Reprodução/Wikipedia
Local onde Adélia morreu é uma região do centro da capital paulista onde usuários de drogas compram e consomem crack

A Polícia Civil identificou a mulher morta após ter sido  baleada durante confronto na cracolândia (região central de São Paulo) na última quinta (9). Segundo a investigação, Adélia Batista Xavier era suspeita de ser uma das chefes do tráfico do local, ligada ao PCC. As informações são do jornal Folha de S.Paulo .

De acordo com a polícia, Adélia nasceu na Bahia e iria completar 31 anos na sexta-feira (10), data em que faleceu no Hospital Santa Casa de Misericórdia. Em julho de 2017, a mulher chegou a ser detida pela Guarda Civil Municipal, após ter sido reconhecida por uma guarda-civil enquanto andava pela alameda Cleveland, próximo ao local onde foi baleada na última quinta.

Com ela, segundo a denúncia, foram encontradas anotações de contabilidade “típicas de tráfico de drogas”. Segundo a Folha, na época da detenção, investigações do Denarc (Narcóticos) apontavam Adélia como “organizadora da disciplina dos demais traficantes, que estavam sob sua subordinação”. O cargo de disciplina é um dos de maior importância no PCC e é responsável pela definição de castigos que podem incluir até a morte.

Como Adélia usava um documento de outra pessoa quando foi socorrida, sua verdadeira identidade só foi desvendada graças ao exame datiloscópico, realizado a partir das impressões digitais, que depois são confrontadas com o banco de dados da Polícia Civil.

Leia também: Polícia Civil faz grande operação contra o tráfico na cracolândia, em São Paulo

O local onde Adélia morreu é uma região do centro da capital paulista onde usuários de drogas compram e consomem crack na rua. Alguns deles vivem em barracas montadas na calçada e passam o dia no chamado fluxo, nome dado à concentração de pessoas que vagam pelo centro.

A confusão que causou a morte da mulher começou por volta das 13h de quinta-feira, depois que agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) prenderam seis pessoas acusadas de carregar droga. Os guardas relataram que foram recebidos com pedradas pelos usuários de drogas enquanto tentavam retirar barracas do meio da rua.

De acordo com a prefeitura, dois guardas ficaram feridos e duas viaturas foram danificadas. Os guardas pediram apoio para a Polícia Militar, que fez a dispersão dos usuários de drogas com bombas de gás. Grupos de pessoas se espalharam por várias ruas do centro. Segundo a polícia, comerciantes relataram que vidros de lojas foram quebrados durante o tumulto.

A prefeitura informou que "após realizar a dispersão para controlar o tumulto, os agentes perceberam que havia uma mulher ferida com um tiro na cabeça. Imediatamente, foi acionado o resgate do Corpo de Bombeiros e ela foi socorrida à Santa Casa de Misericórdia".