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Comissão de Direitos Humanos da Alerj já havia denunciado governador do Rio de Janeiro à OEA; presidente do colegiado alerta para "banho de sangue"

Wilson Witzel em helicóptero da polícia
Reprodução/Twitter
Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel foi denunciado à ONU por aumento de mortes por policiais

A comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) denunciou à Organização das Nações Unidas (ONU) o governador do Estado, Wilson Witzel (PSC), por conta do recorde de mortes em operações policiais.

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A denúncia foi embasada por estudo do Instituto de Segurança Pública (ISP), segundo o qual 434 pessoas morreram durante intervenções policiais no primeiro trimestre da gestão Witzel . O número representa um recorde desde que os números começaram a ser levantados pelo ISP, em 2003.

Segundo a presidente da comissão de Direitos Humanos da Alerj, deputada estadual Renata Souza (PSOL), o aumento do índice de mortes por policiais se deve à permissividade do governador com a técnica de "abate", conforme termo que o próprio mandatário estadual adota. "Nos últimos dias, WW (Wilson Witzel está dando um banho de sangue: 13 mortes no Rio. Em defesa da vida! Não ao 'abate'!", reclamou a parlamentar nas redes sociais.

A formalização da denúncia contra Witzel enfrentou resistência entre os deputados. O vice-presidente da comissão de Direitos Humanos , Márcio Gualberto (PSL) reclamou da medida e saiu em defesa do governador.

O governador fluminense já havia sido denunciado nesse início de semana à Organização dos Estados Americano (OEA). Essa primeira reclamação cobra que o órgão internacional investigue o voo do governador em helicóptero da Polícia Civil que, segundo denúncias, teria atirado contra uma tenda evangélica em Angra dos Reis , no fim de semana.

Gualberto disse que a denúncia à OEA configura uma "covardia imensa" e se disse "indignado" com a medida, alegando que não houve violação dos direitos humanos na ação do governador.

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Witzel, por sua vez, defendeu que a ação policial em Angra seguiu "planejamento técnico" e " protocolos previstos em lei", não resultando em mortes. O Governo do Rio de Janeiro também contestou os números compilados pelo ISP, alegando que foram registradas 344 vítimas de homicídio entre janeiro e março deste ano, o que representaria o menor número desde 1992.