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Empresário teria usado informação privilegiada sobre assinatura do acordo de delação que atingiu Temer, Cunha e Aécio para comprar dólares

Wesley Batista
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 8.11.17
Irmão de Joesley, Wesley Batista foi denunciado por insider trading

O empresário Wesley Batista , um dos controladores do grupo J&F , foi novamente denunciado peloMinistério Público Federal(MPF) nesta terça-feira por ter supostamente se favorecido deinformações privilegiadas para fazer operações de compra e venda de dólar no mercado financeiro. 

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Segundo a denúncia, Wesley Batista se beneficiou da alta do dólar após a divulgação de seu acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR). As movimentações na Bolsa renderam ao empresário quase R$ 70 milhões. Wesley e seu irmão, Joesley Batista, já são réus em uma ação penal sobre o mesmo crime, em razão de ganhos obtidos com a venda e compra de ações da JBS e negociações de contratos de dólar na mesma época.

Wesley foi denunciado por uso indevido de informação privilegiada. Além disso, o Ministério Público pediu o pagamento de uma multa de R$ 70 milhões.

O acordo atingiu, principalmente, o então presidente Michel Temer(PMDB) e o então senador Aécio Neves (PSDB-MG), hoje deputado federal. Auxiliares dos dois políticos foram gravados recebendo propinas negociadas com os donos da JBS.

Os procuradores usaram relatórios periciais da COmissão de Valores Mobiliários (CVM) e da própria PGR para indicar que o tipo de movimentações feitas por Wesley eram atípicas. Duas empresas do grupo J&F, a Eldorado e a Seara, compraram US$ 305 milhões entre os dias 9 e 16 de maio.

Durante esse período, Wesley e seu irmão Joesley finalizaram os últimos detalhes do acordo de delação, celebrado no dia 11 de maio pelo Supremo Tribunal Federal. No dia 17 de maio, o colunista do GLOBO, Lauro Jardim, revelou que o ex-presidente Michel Temer foi gravado assentindo com o pagamento de uma mesada ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
Atualmente, Joesley e Wesley tentam evitar perder os benefícios obtidos ao entregar os crimes cometidos.

O Ministério Público Federal utilizou mensagens de aplicativos de mensagem para apontar o interesse de Wesley sobre limites de créditos para operações de câmbio nos dias anteriores à compra.

Wesley : Rafa, os limites que nós temos nos bancos, de NDF (contrato de compra e venda de câmbio), se nós quisermos voltar a usar, é coisa que tem que aprovar ou é coisa que está pré-aprovado nos bancos? Como é que funciona isso? Me dá uma posição sobre isso. E outra, se você puder me passa uma relação, qual é os bancos e os limites que nós temos para usar e fazer NDF.

R : Ok. Alguns bancos vamos ter que renegociar. Amanha terei uma posição mais detalhada.

No dia 5 de maio, Wesley volta a conversar com o funcionário sobre a compra de dólares, questionando-o sobre o aumento de limite junto a bancos. O empresário determina, então, a compra de mais contratos.

Wesley : “Rafa, passa para mim o que que nós estamos fazendo hoje, adicional ao que nós tínhamos feito na sexta-feira na JBS e checa para mim o que o Eldorado está fazendo hoje também. Me dá uma posição sobre isso aí”.

R : “Hoje fechamos na JBS 250 (milhões) com Itaú. A Eldorado fechou 100 (milhões) com o Bradesco. O Itaú ofereceu mais 50 (milhões) de limite. Fora isso temos disponiveis JBS 140 (milhões) no Bradesco e 500 (milhões) no BNP

Wesley : Então faz mais os 50 (milhões) do Itaú e os 140 (milhões) do Bradesco ainda hoje.
Em razão da crise política causada pelo escândalo, o dólar teve alta de 9% no dia 18. Essa alta foi a maior em 14 anos. Segundo o parecer técnico produzido pela Procuradoria-Geral, o cenário antes da celebração do acordo era de considerável estabilidade no cenário econômico, o que não justificava a mudança de posição nas expectativas sobre o preço do dólar.

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Para o parecer do MP, as operações ordenadas por Wesley Batista "foram utilizadas para especulação sobre o preço da moeda em data futura com vistas a auferir lucro no curto prazo".