Tamanho do texto

Trabalhadores aceitaram nova proposta da Comlurb de reajuste de 4,7%; a empresa se comprometeu a não promover nenhum tipo de retaliação

Dois garis varrem a rua no Rio de Janeiro
Divulgação/Comlurb
A greve dos garis pedia reajuste salarial

Os garis do Rio de Janeiro encerraram a greve, que começou na madrugada de sexta-feira (26), e tinha sido suspensa na tarde do mesmo dia à espera de uma nova proposta da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) para o acordo salarial. Os trabalhadores aceitaram a proposta discutida nesta segunda-feira (29) durante uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, no centro da capital fluminense. O reajuste será de 4,7% sobre o salário, mas terá impacto em outros benefícios recebidos mensalmente.

Leia também: Metroviários de SP descartam greve nesta terça-feira após assembleia

Durante a audiência, a Comlurb se comprometeu em não promover qualquer tipo de retaliação aos empregados que aderiram à  greve e também em pagar os dias parados. A procuradora do Ministério Público do Trabalho, Débora Félix, que acompanha as negociações desde o início, quando recebeu uma comissão dos empregados para tratar do assunto, disse que a sessão representou avanços para os garis .

“Eles conquistaram vários itens de conteúdo financeiro que podem ter uma representação interessante para eles, talvez o percentual que almejavam não chegou ao percentual ideal mas se aproximou. E na realidade eles estão tendo 1% a mais do IPCA que é o mesmo que várias categorias estão conseguindo. Então estão tendo um ganho real mantendo um colchão de benefícios que muitas empresas hoje não estão mais sustentando”, disse.

Leia também: Argentinos fazem greve geral nesta terça-feira; companhias aéreas cancelam voos

Em nota, depois da decisão da categoria, a empresa informou que a proposta mantém os itens de impacto econômico-financeiro como Vale Refeição, Auxílio Creche, Adicional de Coleta, entre outros que compõem a cesta de benefícios nos valores atualmente praticados conforme o Acordo Coletivo de 2018. A empresa destaca que a lista de benefícios da Companhia oferece mais de 20 itens, incluindo planos de saúde e odontológico extensivos aos dependentes. “A administração municipal reconhece a importância dos garis para a cidade do Rio de Janeiro e isso se reflete no fato de ser a única categoria que conta com reajuste salarial todos os anos, mesmo com as dificuldades financeiras atuais”, apontou.

A proposta da Comlurb incluiu ainda um cronograma para as aferições das insalubridades dos APAs (auxiliares de serviços gerais que trabalham na elaboração das merendas das escolas) e vigias. O planejamento para essas verificações segue a sugestão do Ministério Público de que sejam feitas, em pelo menos, 10 escolas por mês com equipamentos oferecidos pelo sindicato e equipe técnica da empresa. O pagamento do percentual aferido terá efeito retroativo. Outro item da proposta é que o Plano de Cargos seja concluído até agosto deste ano, retroativo a outubro de 2018.

Leia também: Tabela do frete é reajustada após pressão de caminhoneiros e negociações

Assembleia

A decisão dos garis de encerrar a greve e aceitar a proposta do acordo coletivo foi tomada em uma assembleia realizada, na tarde de segunda-feira (29), na Rua da Imprensa, nos fundos do prédio do Tribunal. “O Plano vai ser um ganho. Nós temos essa esperança, mas como se apegar em alguma coisa de que isso vai acontecer? Eles disseram que estamos sofrendo com antecedência. Então, o melhor é aguardar o que vai acontecer”, afirmou Elaine Ferreira, integrante da Comissão de Trabalhadores da Comlurb, sobre a determinação da entrega do Plano de Cargos para agosto deste ano.