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Reprodução/Polícia Civil do Rio
Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, réus pelo assassinato de Marielle e Anderson

As investigações da Polícia Civil concluíram que o policial militar reformado Ronnie Lessa,  preso sob acusação de ser o responsável pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, monitorou um encontro da vereadora com o ex-marido e teve acesso a informações privadas antes do crime. As informações são do jornal  Estado de São Paulo .

O relatório final do inquérito concluiu que, dois dias antes do crime, Marielle visitou por três horas o ex-marido com quem foi casada por sete anos, o cientista social Eduardo Alves. Ronnie Lessa monitorou o encontro, que era um compromisso privado e não constava na agenda política da vereadora. 

O que chamou a atenção da polícia é que, segundo Eduardo Alves, a visita foi marcada por meio de um aplicativo de mensagens, e não se sabe como o PM teve acesso a informações privadas sobre a vida da vereadora, como o endereço ou horário da visita.

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“Não sei se ele rastreou nossa conversa ou não, mas ela morou lá naquele endereço durante sete anos", afirmou Alves. “Ela estava muito tranquila e tivemos uma conversa amigável sobre a nossa casa, sobre o que íamos fazer com a casa, essas coisas. Também conversamos sobre um convite que ela tinha recebido para um doutorado", disse. 

Os investigadores descobriram que, no dia do encontro, o PM usou o Google Maps para pesquisar o endereço do ex-marido de Marielle . Além disso, o sistema de dados da inteligência estadual indica que aquele ainda é o endereço da vereadora. 

Porém, o acesso ao sistema de inteligência é restrito aos agentes da PM, o que não conclui como ele teria conseguido a informação. “Em igual sentido, o mesmo endereço se encontra vinculado à vítima em outra ferramenta de pesquisa muito popular entre policiais, denominada Confirme Online”, diz o relatório assinado pelo delegado Giniton Lages.

Por conta disso, os investigadores concluíram que Lessa  realizou um levantamento e monitorou a rotina de Marielle. Além dos compromissos privados, o inquérito mostra também que a vereadora foi monitorada em agendas públicas alguns dias antes do crime.

Na semana passada, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que Ronnie Lessa  recebeu um depósito de R$ 100 mil em sua conta sete meses após o crime. Ainda não se sabe, porém, se o dinheiro teria relação com o caso Marielle. A denúncia que colocou os investigadores no rastro do ex-sargento do Bope dava conta de que o assassinato da vereadora teria sido contratado pelo valor de R$ 200 mil.

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