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Ministro Sergio Moro disse acreditar na existência de mandantes; polícia civil afirmou que essa questão ficará para a segunda fase da investigação

Segundo a Polícia Civil, investigação do caso Marielle Franco vai continuar
Reprodução/Anistia Internacional
Segundo a Polícia Civil, investigação do caso Marielle Franco vai continuar

Um ano após a morte de Marielle Franco e dois dias depois da prisão de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, suspeitos do crime, familiares da vereadora cobram respostas sobre quem seriam os possíveis mandantes do assassinato. A Polícia Civil afirmou que a questão do mandante será tratada na segunda fase da investigação, mas não descartou a possibilidade de os suspeitos terem agido por conta própria.

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Em entrevista ao jornal Valor Econômico , o ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou acreditar na existência de mandantes do assassinato de Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes. "Acredito que essa é uma hipótese probatória bastante provável, e que a investigação não pode ser encerrada antes disso ser confirmado, identificados os mandantes, ou completamente descartada. A impressão que se tem é que existem mandantes", disse.

A viúva de Marielle, Mônica Benício , afirmou que a solução completa do caso é um dever do Estado com a sociedade, a democracia e os familiares das vítimas. “A gente tem que pensar que mais importante que prender mercenários é responder à questão mais urgente e necessária de todas, que é quem mandou matar a Marielle e qual foi a motivação para o crime. Espero não ter que aguardar mais um ano para ter essa resposta”, disse Mônica.

Da mesma forma, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), com quem Marielle  trabalhou, destacou que ainda é preciso revelar a motivação do crime.“Quem matou Marielle não foi apenas quem apertou o gatilho. Quem matou Marielle foi quem planejou a sua morte, foi quem desejou a sua morte, foi quem contratou, foi quem politicamente desejou eliminar Marielle. É muito importante para o país saber quem mandou matar Marielle, qual o objetivo político e qual a motivação”, disse Freixo.

A viúva de Anderson Gomes, Ághata Reis, ponderou que as prisões são só um começo. “O que aconteceu foi muito maior do que a gente poderia imaginar. É realmente um divisor de águas. A prisão desses dois é só um começo, um pontapé. Tem muita coisa ainda para ser descoberta, para que a gente ponha um ponto final no nosso sofrimento. Queremos descobrir o mais rápido se houve um mandante”.

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A identidade de possíveis mandantes é uma das perguntas que vão guiar a segunda fase da investigação, que já está em curso. O chefe da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, delegado Giniton Lages, deixou claro ontem que as equipes continuam a apuração de outros suspeitos de envolvimento no crime.

"O caso ainda está em aberto", resumiu Giniton Lages, ao apresentar os resultados da investigação na última terça, após um ano de sigilo. O segredo em relação aos dados da investigação vai continuar na segunda fase, adiantou ele, que não descartou a possibilidade de os assassinos terem agido por conta própria. "Se ele [Ronnie Lessa] resolveu da cabeça dele, é uma hipótese, está em aberto. Se ele recebeu para fazê-lo, está em aberto. Por isso que a segunda fase é muito difícil".

Ontem, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, disse haver grande probabilidade de que os assassinos tiveram um mandante e informou que a segunda fase contará com técnicas de investigação próximas das usadas contra organizações criminosas, com análise de documentos já apreendidos, oitiva de testemunhas e delação premiada. Os advogados dos dois suspeitos presos, entretanto, afastam a possibilidade de acordos de colaboração e afirmam que seus clientes são inocentes.

A investigação das mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes, no entanto, não será mais coordenada na Polícia Civil pelo delegado Giniton Lages, que foi convidado pelo governador para  participar de um intercâmbio na Itália para estudar formas de combate a organizações criminosas como a Máfia. Giniton vai ajudar a elaborar um programa de aperfeiçoamento para delegados fluminenses e um programa de intercâmbio no Rio de Janeiro para policiais italianos.