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Ex-candidato à Presidência acusou a magistrada de incitar ao crime com publicação; Marilia Neves já é investigada por post sobre Marielle Franco

Coordenador do MTST, Guilherme Boulos afirmou que
Oswaldo Corneti/ Fotos Públicas
Coordenador do MTST, Guilherme Boulos afirmou que "um magistrado tem que ter equilíbrio, não pode incitar ao crime"

O ex-candidato à Presidência Guilherme Boulos (Psol) afirmou nesta quinta-feira (17) que vai entrar com uma ação contra a desembargadora Marilia Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Segundo o coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), a magistrada teria compartilhado em uma rede social uma imagem dele com a frase “a tristeza no olhar de quem vai ser recebido na bala, depois do decreto do Bolsonaro”.

“Esta é a desembargadora Marilia Castro Neves, do TJ do Rio de Janeiro. Já responde judicialmente por ofensas a Marielle Franco e outras postagens inadequadas. Um magistrado tem que ter equilíbrio, não pode incitar ao crime. Agora responderá mais uma ação judicial”, escreveu Guilherme Boulos em seu perfil oficial no Instagram.

Em março de 2018, o Conselho Nacional de Justiça abriu uma investigação para apurar o teor dos comentários que a desembargadora postou em suas redes sociais na internet sobre a morte da vereadora Marielle Franco (Psol), assassinada a tiros no dia 14 de fevereiro do ano passado na capital fluminense.

Em um comentário em sua página no Facebook, a desembargadora afirmou que Marielle “não era apenas uma lutadora”, que estaria “engajada com bandidos”, tendo sido “eleita pelo Comando Vermelho [facção criminosa carioca]”. Os supostos “fatos” elencados pela juíza, contudo, são comprovadamente falsos, o que motivou o  Psol  a entrar com uma ação contra Marilia no CNJ.

Frente a isso, o corregedor Nacional de Justiça, João Otavio de Noronha, determinou a abertura de uma investigação para tratar do comportamento da desembargadora.

Após a repercussão negativa de seus comentários, Marilia tentou se retratar, reconhecendo que se “precipitou” em reproduzir falsas notícias e calúnias contra a vereadora morta.

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Nas redes sociais, a desembargadora tem um histórico de publicações polêmicas. Semanas antes do caso envolvendo suas calúnias contra a vereadora, Marilia comentou também a questão do assédio sexual que embalou discussões durante o carnaval de 2018.

“Sinceramente, não aguento mais ler palavras de ordem do tipo: assédio sexual, direito das minorias, inclusão social, social democracia... Assédio sexual é o que??? Paquera no trabalho??? Francamente!!!! Será que não temos nada mais importante para lutarmos??? Uma pia de louça para lavarmos???”, ironizou.

Antes disso, a desembargadora também se declarou sobre Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência dos negros no Brasil colonial e que comandou um dos quilombos mais longevos durante o período mais violento da escravidão no país. Para ela, Zumbi não passa de um “mito histórico para estimular um racismo que o Brasil até então não conhecia”.

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Por fim, mais recentemente a desembargadora sugeriu que o deputado federal Jean Wyllys, companheiro de partido de Marielle e Guilherme Boulos , seja colocado no “paredão” – uma referência às mortes de líderes políticos em países totalitários. “O Jean Willis [sic], por exemplo, embora não valha a bala que o mate e o pano que limpe a lambança, não escaparia do paredão...”, precipitou-se a desembargadora.

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