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Progressão foi concedida à esposa do traficante após ela cumprir um sexto de sua pena; ela será transferida, mas ainda não pode deixar o presídio

Danúbia Rangel, mulher de Nem da Rocinha, passou do regime fechado para o semiaberto
Reprodução
Danúbia Rangel, mulher de Nem da Rocinha, passou do regime fechado para o semiaberto

Danúbia Rangel , a mulher de Nem da Rocinha, passou do regime fechado ao semiaberto. Condenada a 17 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de associação para o tráfico e corrupção ativa, a criminosa conseguiu o benefício após cumprir um sexto de sua pena e não cometer falta disciplinar grave nos últimos 12 meses.

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A progressão foi concedida pela Vara de Execuções Penais, e a mulher de Nem  vai deixar a Penitenciária Nelson Hungria e será transferida para outro complexo prisional. No entanto, a juíza Larissa Franklin Duarte, que assinou a decisão, não autorizou Danúbia a deixar o presídio para visitar a família, conforme pedido da defesa.

De acordo com a magistrada, Danúbia acabou de progredir para o semiaberto e, portanto, a poder judiciário não tem a confiança necessária na condenada para conceder esse benefício. A decisão será revista depois que a mulher de Nem da Rocinha já tiver desempanhado atividades profissionais ou educativas fora da cadeia.

Quem é a mulher de Nem?

Mulher de Nem ostentava vida de luxo antes de ser presa
Reprodução / internet
Mulher de Nem ostentava vida de luxo antes de ser presa

A história de Danúbia Rangel com o tráfico começa muito antes de Nem. Antes de ser a "Xerifa na Rocinha", ela ficou conhecida como "Viúva Negra" no Complexo da Maré. Primeiro, se casou com Luiz Fernando da Silva, o "Mandioca", chefe do tráfico da comunidade. Eles tiverem uma filha, Beatriz. 

Em 2003, Mandioca foi morto em confronto com a polícia. Pouco tempo depois, Danúbia foi mulher de Marcélio de Souza Andrade, que tomou o lugar de seu ex-marido no comando do crime na Maré.

Em 2005, após uma tentativa frustrada de fuga da cadeia, Marcélio também foi morto por policiais. Aos 21 anos, Danúbia perdeu o segundo marido, o que rendeu a ela o apelido de "Viúva Negra".

Em meados de 2008, Danúbia conheceu Nem e iniciou um relacionamento com o traficante. Deixou a Maré e se mudou para a Rocinha . Nem já era o líder dos criminosos na comunidade desde 2005, quando Erismar Rodrigues Moreira, o "Bem-Te-Vi", foi morto pela polícia. Nem era compadre de Bem-Te-Vi, que também foi seu mentor.

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Vista como "forasteira" pelos moradores e dona de uma personalidade forte, Danúbia nunca foi muita querida dentro do morro, mas era muito respeitada por conta do marido, que é tido pela comunidade com um líder que trouxe prosperidade para o morro. Inteligente e tendo a confiança completa do marido, Danúbia conquistou cada vez mais espaço dentro da Rocinha e também da A.D.A.

Por ser já se casado com outra mulher, Nem oficializou sua relação com Danúbia em uma festa junina. Pouco tempo depois, o casal teve uma filha, Yasmim.

Um fato que chamou muito a atenção da mídia e dos investigadores foi a vida de luxo ostentada pelo casal. Passeios de helicóptero, carros do ano, móveis de luxo e roupas de grife faziam parte da rotina dos dois.

O relacionamento dos dois, no entanto, passou por uma série de problemas. Uma escuta policial flagrou Danúbia confessando a uma amiga que tinha sido agredida pelo marido mais de vez. O principal motivo dos desentendimentos era o ciúme que o traficante sentia da amada.

Apesar disso, desde a prisão de Nem, Danúbia faz juras de amor e fidelidade ao marido nas redes sociais, visitando-o com frequência e mantendo seu "legado" dentro da facção.

A Xerifa da Rocinha foi detida pela primeira vez em 2011, acusada de associação ao tráfico de drogas. Ela foi encontrada disfarçada  dentro do salão de belezas de uma amiga e levada por agentes do BOPE (Batalhão de Operações Especiais). Após prestar depoimento, no entanto, ela foi solta por falta de provas. Poucos meses depois, Nem foi preso e levado para uma penitenciária em Campo Grande (MS). Após a prisão do amado, a Dona do Bairro passou por mais um drama, a morte da filha Beatriz, então com 14 anos, vítima de uma pneumonia.

Em 2014, Danúbia foi presa ao ser encontrada com dez aparelhos de telefone celular e três tablets com conexão à internet. Acusada de enviar recados de Nem para outros traficantes, ela ficou encarcerada até 2016, quando foi absolvida de uma das acusações e acabou sendo solta.

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Após poucos dias em liberdade, Danúbia voltou a ser julgada e acabou sendo condenada a 28 anos de prisão por tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção ativa. Foragida, a mulher de Nem foi detida em outubro de 2017 e está encarcerada desde então.


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