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Lei que mudou em setembro livra médium da maioria das acusações de abuso sexual durante atos espirituais; caso principal, porém, segue na investigação

João de Deus está livre da maioria das denúncias contra si
Divulgação
João de Deus está livre da maioria das denúncias contra si


João de Deus não vai responder pela maioria dos crimes pelos quais é acusado. De acordo com a delegada Karla Fernandes, responsável pela investigação contra o médium, muitos dos casos denunciados aconteceram mais de seis meses antes da denúncia e, portanto, perdem o valor legal, conforme o código penal brasileiro decretava até setembro deste ano.

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Segundo Karla Fernandes, a maioria das acusações contra  João de Deus foram feitas entre os meses de novembro e dezembro, mas os casos relatados eram do início do ano ou mesmo de anos anteriores. Até setembro deste ano, a lei previa que a denúncia só teria valor jurídico se feita até seis meses após a data do fato. Isto foi alterado e agora casos como de abuso sexual não possuem prazo decacional.

Como a lei brasileira não permite que uma regra nova retroaja a decisão anterior para que o réu seja prejudicado, essas denúncias apontadas não serão levadas em consideração na investigação contra o médium.

O caso tido como principal da investigação, porém, teria acontecido após setembro e, portanto, segue como parte das denúncias válidas juridicamente. No relato, uma mulher de 43 anos diz ter sido abusada por João durante uma sessão. O médium teria passado a mão em seu ventre para “tirar uma energia ruim” e colocado o pênis para fora das calças. Assim que notou, a mulher levantou assustada e foi lhe pedido que não contasse nada daquilo para ninguém.

No depoimento à polícia no último domingo (16) , João teria dito que não se lembrava de várias mulheres que lhe acusaram, mas neste caso específico, ela era “problemática” e exigiu uma prova de qualquer violação sexual.

Acusado por 330 mulheres de cometer  abuso sexual  durante sessões espirituais na Casa Dom Inácio Loyola, em Abadiânia, o médium nacionalmente famoso por ‘conseguir curar doenças incuráveis’ passou a ser investigado pelo Ministério Público de Goiás na semana passada.

Após analisar as denúncias da promotoria, a Justiça de Goiás decretou, na última sexta-feira (14), a prisão preventiva de João alegando que ele poderia ocultar patrimônio caso continuasse em liberdade. Ele só se entregou no domingo (16), após negociação de sua defesa.

João de Deus  está  preso no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital goiana.