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Tânia Rêgo/ABr
Incêndio no Museu Nacional começou por volta das 19h30 do domingo (2) e durou até a madrugada de segunda-feira (3)

Em meio às chamas e aguardando o controle do incêndio , a vice-diretora do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Cristina Serejo, declarou que “nem tudo foi perdido do acervo” do museu. Uma coleção de invertebrados escapou do fogo, pois fica em um prédio anexo, que não foi afetado pelas chamas. O museu tem três andares e prédios anexos, localizados na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na zona norte da capital.

Segundo Cristina Serejo, alguns pesquisadores conseguiram sair do prédio do museu  com seus acervos pessoais. Outros funcionários tiveram condições de retirar computadores pessoais.

O Museu Nacional do Rio de Janeiro reunia um acervo de mais de 20 milhões de itens de geologia, paleontologia, botânica, zoologia e arqueologia. No local, estava a maior coleção de múmias egípcias das Américas, havia ainda esqueletos de dinossauros e várias peças de arte.

O incêndio começou na noite de domingo (2) por volta das 19h30. Homens e viaturas de 21 quartéis trabalharam na operação. Segundo o comandante, às 23h30 eram 80 homens e três escadas magirus na área. As dificuldades eram o abastecimento de água, acesso ao local e a elevada quantidade de material inflamável.

Segundo a assessoria de imprensa do Museu Nacional , não há registro de feridos. Três vigilantes estavam no local, mas conseguiram sair a tempo. As causas do incêndio , que começou depois do horário de fechamento para visitantes, ainda serão investigadas.

Leia também: Bombeiros fazem trabalho de rescaldo no Museu Nacional após incêndio

O comandante do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, coronel Roberto Robadey Costa Júnior, disse que pelo menos duas áreas não foram atingidas pelo fogo. Segundo ele, por duas horas, os bombeiros e funcionários do museu retiraram uma parte do acervo.

“Mas é muito triste dizer que muita coisa se perdeu”, afirmou o coronel. “Estamos trabalhando para evitar mais perdas, para que o fogo não vá para áreas que ainda estão intactas".

Funcionários denunciam descaso com o museu

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Tânia Rêgo/ABr
Prédio do Museu Nacional do Rio de Janeiro não recebia a manutenção devida há décadas

Após manifestações de apoio de políticos como o presidente Michel Temer e o governador do Rio Janeiro, o vice-diretor do museu, Luiz Fernando Dias Duarte,  criticou o poder público pela falta de apoio financeiro nos últimos anos.

"Passamos por uma dificuldade imensa para a obtenção desses recursos. Agora todo mundo se coloca solidário. Nunca tivemos um apoio eficiente e urgente para esse projeto de adequação do palácio", disse o vice-diretor em entrevista à TV Globo. "O arquivo histórico do museu, de 200 anos de história do país, foi totalmente destruído", completou.

Ainda de acordo com Duarte, as chamas destruíram acervos como a coleção da Imperatriz Terasa Cristina e os afrescos de Pompeia. "Tudo isso traz junto a destruição das carreiras de cerca de 90 pesquisadores que dedicavam a sua vida profissional dentro daquele espaço", lamentou o vice-diretor.

Outra vice-diretora, Cristiana Cerejo, contou aos jornalistas que ela e outros funcionários do museu conseguiram recuperar partes do acervo: "A gente conseguiu recuperar algumas coisas. Eu cheguei mais cedo e consegui entrar. A gente arrombou uma das portas antes das chamas tomarem conta", disse. “Conseguimos retirar algum material inflamável”, confirmou o ex-diretor da casa, Sérgio Azevedo

O diretor de Preservação do Museu Nacional, João Carlos Nara também lamentou o ocorrido e chamou a perda de irreparável. “Infelizmente a reserva técnica, que esperávamos que seria preservada, também foi atingida. Teremos de esperar o fim do trabalho dos bombeiros para verificar realmente a dimensão de tudo”, afirmou o diretor.

“É tudo muito antigo. O sistema de água e o material, tudo tem muitos anos. Havia uma trinca nas laterais. Isso é ameaça constante”, disse Nara, que também não poupou críticas ao poder público. “Gastam milhões em outros projetos”, reclamou.

O Museu Nacional do Rio de Janeiro é a mais antiga instituição histórica do país, pois o local foi fundado por dom João VI, em 1818. O museu é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com perfil acadêmico e científico. Tem nota elevada nos institutos por reunir pesquisas diferenciadas, como esqueletos de animais pré-históricos e livros raros.

*Com informações da Agência Brasil

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