Desabamento em São Paulo no dia 1o de maio deixou mais de 100 famílias desabrigadas
Corpo de Bombeiros de São Paulo
Desabamento em São Paulo no dia 1o de maio deixou mais de 100 famílias desabrigadas

Mais de dois meses depois do desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida após um incêndio ocorrido em 1º de maio, dia do trabalhador, ainda há desabrigados acampados no Largo do Paissandu, na capital paulista. Os desabrigados afirmam que 48 famílias ainda não receberam o auxílio-moradia prometido por Michel Temer (MDB).

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Os antigos moradores do edifício, vítimas do desabamento em São Paulo , montaram barracas no largo após o incêndio, prometendo ficar no local até que o Poder Público garanta o pagamento do benefício para todos.

“Nasci no sofrimento, e meus filhos parece que estão herdando esse sofrimento. Minha filha de 18 anos, antigamente, perguntava assim: ‘quando a gente vai ter uma moradia?’ Esses aqui, os pequenos, já me perguntam: ‘quando a gente vai se fixar em um lugar?’ Eles mesmos já não têm aquele laço de se apegar, porque sabem que, a qualquer momento, vão se mudar”, disse Vilma de Freitas, de 44 anos. Ela está acampada no largo do Paissandu com quatro filhos com idades entre 5 e 10 anos.

Vilma morava com os filhos menores e a mais velha, de 18 anos, em uma região no centro de São Paulo conhecida como “cracolândia”, mas teve que sair de lá em 2017 devido às desapropriações do projeto de reurbanização da Luz. Neste ano, mudou-se para o Edifício Wilton Paes de Almeida, e depois do desabamento mora em uma barraca no Largo do Paissandu, onde as vítimas montaram de forma coletiva uma cozinha com geladeira, fogão e pia improvisada.

Ela conseguiu comprovar que morava no edifício, mas o pagamento do auxílio-aluguel não foi aprovado. “A prefeitura fala que eu sou ex-mulher de liderança de movimento de sem-teto. Ele não dá pensão, eu estou nessa situação aqui, minha vida parou. Estou há dois meses sem fazer nada. Antigamente eu ainda fazia bico de lavar roupa para fora, agora não tem nem tanquinho, nem água para lavar. Tudo queimou no incêndio.”

Histórico do desabamento em São Paulo

Com 24 andares e dois subsolos, o edifício no largo do Paissandu e era ocupado por 291 famílias, de acordo com números da prefeitura. Os bombeiros encerraram as buscas nos destroços no dia 13 de maio, com o número oficial de sete vítimas.

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A prefeitura afirma ter disponibilizado abrigos públicos para acomodar as famílias, mas os moradores só poderiam passar a noite nos locais, tendo de sair com seus pertences durante o dia. Ainda, em alguns casos, mulheres, homens e crianças precisariam ser alocados separadamente. O auxílio-aluguel está sendo pago a 224 famílias, informa o município.

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Vilma disse que o que a impede de deixar o largo é a falta do auxílio-aluguel e que, nos locais oferecidos pela prefeitura, ela não poderia guardar seus pertences.

“Eu quero progredir na vida, quero construir, ter uma televisão, quero que meus filhos tenham uma cama, um beliche, para cada um dormir, e não dormir um em cima do outro. Com R$ 400 não daria [para alugar um imóvel], mas eu tenho bico que eu faço de diarista. Se tiver que passear com cachorro, eu passeio, não estou escolhendo, é a necessidade. Eu não estou nessa situação porque quero, é o momento”, desabafou.

A região onde os moradores estão acampando não conta com estrutura básica para a higiene das famílias. Em resposta a um pedido das defensorias públicas do estado de São Paulo e da União, a Justiça Federal determinou, no dia 23 de maio, a instalação de 10 banheiros químicos no largo. Em 1º de junho a prefeitura cumpriu a determinação.

Para Luiza Lins Veloso, defensora pública do estado, a melhor alternativa, tanto para as vítimas quanto para o município, é a acomodação das famílias vítimas do desabamento em um imóvel do Poder Público, até que sejam atendidas por programa habitacionais.

“Nosso pedido final era mais amplo do que o auxílio-moradia. Era no sentido de que as famílias pudessem ser alojadas em um imóvel. Isso contemplaria as famílias, que conseguiriam um abrigo, e imagino que seria mais barato para o próprio estado. Tendo um imóvel público em condições de abrigar todo mundo, seria mais barato do que pagar o auxílio-moradia por um prazo indeterminado”, disse.

A Justiça deferiu o pedido de pagamento do auxílio-moradia , por prazo indeterminado, às vítimas do desabamento, até a entrega de imóvel definitivo. No entanto, na audiência, a prefeitura foi autorizada a retirar os banheiros químicos após 30 de junho. Questionado, o município informou que não tem previsão para retirada.

Questionada sobre a falta de pagamento do auxílio-moradia para 48 famílias vítimas do desabamento em São Paulo , até a conclusão deste texto a prefeitura não havia respondido à reportagem.

* Com informações da Agência Brasil

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