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Mônica Benício chega aos 90 dias da execução da companheira com a certeza de que é preciso seguir na busca por direitos – embora o cenário seja difícil

Morte da vereadora Marielle Franco completa três meses nesta quinta-feira, na foto, vereadora está ao lado de Mônica
Arquivo pessoal/Mônica Benício
Morte da vereadora Marielle Franco completa três meses nesta quinta-feira, na foto, vereadora está ao lado de Mônica

Foram 14 anos de relacionamento. Mas, pela primeira vez, Mônica Benício entrou de luto no Mês do Orgulho LGBT , que é comemorado em junho. Afinal, nesta quinta-feira (14), são completados três meses desde o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e do seu motorista, Anderson Gomes, no Rio de Janeiro. 

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A tristeza pelo assassinato de Marielle Franco tomou forma de luta quando a viúva da vereadora abriu a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, no início do mês, com um discurso de resistência e aproveitou o Dia dos Namorados para defender que demonstrar afeto em público é reafirmar a legitimidade do amor LGBT.

"Acho legítimo que as pessoas sintam medo, mas a minha mensagem é de esperança, para dizer que o medo é legítimo, mas temos que seguir com medo mesmo, senão eles vão continuar nos matando e nos colocando nesse lugar subalterno e às margens das decisões sociais. Isso a gente não pode mais admitir", disse Mônica Benício , em entrevista.

Sua luta, porém, tem um cenário difícil pela frente. Afinal, para arquiteta, o País vive um momento em que o conservadorismo "avança a passos largos" e a sociedade "flerta com o fascismo".

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"É um momento de muito retrocesso e de um Estado muito reacionário, mas eu não tenho mais motivo para ter medo de nada. Me coloco na luta de um outro lugar, porque não tenho mais nada a perder", afirma.

Agressões verbais

Como muitos casais LGBT, Mônica e Marielle enfrentaram resistência dentro e fora de casa e demonstrar afeto lésbico publicamente no Complexo da Maré era uma grande dificuldade, lembra Mônica. Agressões verbais eram frequentes.

"Quando você não é o estereótipo do que eles entendem como a figura da 'sapatão caminhoneira', para ficar claro, você sofre uma certa repressão e até ameaça de estupro corretivo, porque se entende que se a gente parece mulher, entre aspas, a gente só está com outra mulher porque não encontrou o homem correto. Pensamento que é fruto dessa sociedade machista que a gente vive", diz.

O apoio do pai de Marielle Franco , porém, era constante. Aposentado, Antônio Francisco Silva frequentava a casa de Marielle e Mônica e defende que o amor delas duas têm a mesma legitimidade que o de qualquer casal. "Se a minha filha lutava por essas causas, não seria eu, o pai dela, que seria contrário a essa relação", disse.

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* Com informações da Agência Brasil.

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