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Suspeita é de que greve de caminhoneiros conta com o apoio e direção de empresários do setor – o chamado ‘locaute’, prática que é proibida por lei

Paralisação dos caminhoneiros na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro
Tânia Rêgo/Agência Brasil - 25.5.18
Paralisação dos caminhoneiros na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro

A Polícia Federal (PF) está investigando se a greve dos caminhoneiros pelo país trata-se de locaute – termo que designa paralizações de trabalhadores apoiada e dirigida por empresários, o que é proibido por lei.

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Os protestos dos motoristas, que fecharam estradas e tem causado desabastecimento de comida e combustível no país, teve início na segunda-feira (21) e prossegue nesta sexta (25), a despeito de um acordo firmado entre associações do setor e o governo federal.

A mobilização dos caminhoneiros é monitorada por um gabinete de crise coordenado pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que disse haver indícios de locaute no movimento.

A suspeita, que passou a ser aventada na terça-feira (22) em função da dimensão dos protestos, é de que empresários do setor de transportes estão estimulando e apoiando os grevistas para pressionar o governo a concedê-los benefícios, como a reduação de impostos e anulação de multas. Se confirmada a hipótese, os empresários que supostamente dirigem a greve podem ser denunciados por apologia ao crime.

Em pronunciamento nesta sexta, Michel Temer autorizou o uso de forças federais de segurança para liberar as rodovias bloqueadas caso as estradas não sejam liberadas pelos caminhoneiros .

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“Quero anunciar um plano de segurança imediato para acionar as forças federais de segurança para desbloquear as estradas. Estou solicitando aos governadores que façam o mesmo. Não vamos permitir que a população fique sem os gêneros de primeira necessidade, que os hospitais fiquem sem insumos para salvar vidas e que crianças fiquem sem escolas”, disse durante pronunciamento no Palácio do Planalto.

Na quarta (24), nove das 11 entidades representativas do setor de transporte assinaram um acordo com o governo federal para tentar pôr fim à paralisação. Em troca do compromisso da Petrobras de manter, pelos próximos 30 dias, o preço reduzido do óleo diesel nas refinarias e do governo estudar formas de baratear o preço dos combustíveis, as lideranças sindicais que assinaram o acordo prometeram suspender o movimento por 15 dias.

A proposta, no entanto, foi recusada pela União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam) e pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam). Os dirigentes negam que o movimentro trate-se de um locaoute .

O presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, disse não acreditar que os caminhoneiros retornem à normalidade nos próximos dois dias. “Este final de semana vai ser para montarmos as estratégias que adotaremos a partir de segunda-feira. Na minha visão, não vamos encerrar a greve tão cedo.”

* Com informações da Agência Brasil

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