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Mesmo tratando-se de uma ocupação ilegal, para morar no edifício era cobrado aluguel que variava de R$ 150 a R$ 400, segundo testemunhas

Aluguel pago por moradores do prédio que desabou variava entre R$ 400 e R$ 150, segundo testemunhas
Reprodução/Rede Globo
Aluguel pago por moradores do prédio que desabou variava entre R$ 400 e R$ 150, segundo testemunhas

Os moradores do  prédio que desabou depois de um incêndio no Largo da Paissandu, no Centro de São Paulo, afirmaram que pagavam aluguel para viver no edifício ocupado. Eles relatam que os valores variavam de R$ 150 a R$ 400 e eram entregues a duas pessoas identificadas como coordenadores do Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM).

Ainda segundo os moradores, ambos sumiram assim que o fogo começou. A reportagem do jornal O Globo conta que uma testemunha afirmou que os responsáveis por recolher o aluguel  moravam no térreo do edifício Wilton Paes de Almeida e foram os primeiros a fugir de carro, que ficava na garagem, assim que o fogo começou.

Quem morava no local também ressalta que as regras eram bastante rígidas, o fornecimento de água, por exemplo, só era liberado de madrugada, e os portões eram trancados pontualmente às 19h.

Para controlar o pagamento mensal, os moradores recebiam uma carteirinha de identificação. Ninguém morava de graça. Mesmo tratando-se de uma ocupação irregular, os “inquilinos” que não cumpriam as regras, atrasavam ou não pagavam o aluguel eram expulsos.

Eles contam que as condições do prédio eram degradantes. Além de não haver esgoto, a presença de ratos era constante.

Incêndio

Prédio desaba no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, após ser tomado por chamas
Corpo de Bombeiros de São Paulo
Prédio desaba no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, após ser tomado por chamas

Dois prédios foram tomados por um incêndio de grandes proporções na capital paulista na primeira hora do dia. Um deles, desabou por volta das 2h50. Os dois edifícios estão localizados na esquina da avenida Rio Branco com a rua Antônio de Godói, no Largo do Paissandu, centro velho da cidade.

O incêndio começou no quinto andar do prédio , conforme relatos de vizinhos. O fogo logo tomou grande proporções, resultando na queda da edificação.

O prédio de 24 andares era uma antiga instalação da Polícia Federal e era ocupada por moradores sem-teto, em torno de 150 famílias, há alguns anos.

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Prefeitura sabia do risco

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, declarou na manhã desta terça-feira que a  Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social está atendendo as famílias que ocupavam o prédio .

O secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Felipe Sabará, afirmou à Globonews que mais de 90, das 150 famílias que moravam no edifício, já haviam sido atendidas até às 9h de hoje, totalizando 248 pessoas auxiliadas pela prefeitura.

De acordo com Covas, o prédio pertencia à União, mas a prefeitura já havia tentado desestimular as ocupações irregulares, prevendo riscos. “A prefeitura fez o limite do que poderia fazer. Não podemos obrigar as pessoas a sair”, afirmou, em entrevista coletiva concedida mais cedo. 

Covas ainda declarou que 150 famílias que viviam no prédio e entorno do local já estavam cadastradas junto à Secretaria de Habitação, sendo que 25% dessas famílias são estrangeiras.

Escombros ainda estão sendo analisados por bombeiros, que buscam por possíveis vítimas
Reprodução
Escombros ainda estão sendo analisados por bombeiros, que buscam por possíveis vítimas

O prefeito e a Secretaria da Assistência Social confirmaram que as pessoas que ocupavam o edifício serão encaminhada para abrigos e depois, poderão receber um auxílio aluguel, para se reestabelecerem.

De acordo com a prefeitura, 8 prédios do entorno do local têm ocupações. Bruno Covas afirmou que em toda a cidade de São Paulo há pelo menos uma centena de prédios invadidos.

Briga de casal

Ainda não há confirmação oficial, mas a hipotese mais provável é de que o incêndio tenha sido provocado por conta de uma briga de casal . A informação é de um morador que disse ter visto a briga acontecer no quinto andar do edifício – onde as chamas começaram. A testemunha afirmou categoricamente, em entrevista ao jornal  O Globo , que o casal cozinhava usando álcool como combustível, enquanto discutia.

Gabriel Archangelo, 21 anos, disse ter visto que, enquanto o casal brigava, o homem colocava mais líquido na fogueira que havia acendido. Segundo as informações passada por Gabriel ao jornal, foi aí que a mulher o empurrou. 

De acordo com a testemunha, as roupas dos dois pegaram fogo. Eles arrancaram tudo do corpo e desceram nus com os filhos pela escadaria. O casal não foi identificado.

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