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Envolvidos prometes visitar favelas e comunidades da periferia para verificar a existência de violações cometidas pelas polícias e pelo Exército Brasileiro

ONGs consideram intervenção no Rio de Janeiro, com a ação das Forças Armadas na segurança pública é inconstitucional
Tomaz Silva/Agência Brasil - 27.2.18
ONGs consideram intervenção no Rio de Janeiro, com a ação das Forças Armadas na segurança pública é inconstitucional





A fim de monitorar eventuais violações de direitos humanos ocorridas no âmbito da intervenção no Rio de Janeiro, diversas organizações da sociedade civil e entidades dos movimentos sociais se reuniram, nessa quinta-feira (19), para lançar a chamada Comissão Popular da Verdade.

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Essa comissão promete visitar favelas e comunidades da periferia para verificar a existência de violações cometidas pelas polícias e pelo Exército Brasileiro que atuam na intervenção no Rio

Entre os envolvidos na iniciativa estão a Federação das Associações de Favela do Estado do Rio de Janeiro (Faferj), a União nos Negros pela Igualdade (Unegro), a União Brasileira de Mulheres (UBM), a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo.

Como explica a comunicadora Gizele Martins, moradora do Complexo da Maré e uma das lideranças à frente da iniciativa, a falta de estrutura será superada pela determinação dos participantes. Em sua avaliação, o monitoramento é fundamental, levando-se em conta as experiências anteriores.

Gizele alega ainda que o cotidiano dos moradores da Maré foi profundamente alterado ao longo a atuação do Exército na comunidade, encerrada em 2015.

A advogada e pesquisadora Nadine Borges – que integrou e chegou a presidir a Comissão Estadual de Verdade (CEV) do Rio de Janeiro , criada pela Lei Estadual 6.335/2012 e que apresentou seu relatório final em 2015 – também participa da iniciativa. 

O lançamento da comissão ocorreu, ontem, durante cerimônia no centro da capital, na Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O evento foi aberto e contou com uma apresentação teatral de artistas negros, com performances, música e discursos que abordaram relatos cotidianos de violência na periferia.

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Tais discursos também lembraram casos como os do dançarino DG, torturado durante uma ação policial antes de morrer, segundo sua mãe; de Cláudia Silva Ferreira, falecida após ser arrastada por viatura da polícia; e da vereadora Marielle Franco, cujo assassinato, ocorrido no centro do Rio, ainda está em investigação.

Diálogo

A representante da Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (Faferj), Kátia Lopes, acredita que faltou diálogo do governo federal com a sociedade do Rio.

“A gente está se sentindo violentado pelo fato deles não terem comunicado. Tudo tem que ter um planejamento. Não se faz uma intervenção sem planejar, principalmente quando se vai atuar com a população. Qual o tipo de proteção que a população precisa? Não há um diálogo do Poder Público com a sociedade civil”, lamentou.

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Para ela, o que deveria estar em curso é uma intervenção no Rio de cunho social. “Precisamos de nossas crianças nas escolas, precisamos de capacitação dos jovens. Não queremos nossos filhos no tráfico. Nós queremos uma intervenção que traga garantia de direitos e oportunidades”, acrescentou.

* Com informações da Agência Brasil.