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Segundo a PMERJ, o Batalhão de Choque fazia patrulhamento na comunidade quando foi surpreendido por "criminosos armados"; moradores afirmam que vítimas haviam se rendido; nenhum policial foi ferido

Moradores da Rocinha também ficaram sem luz após operação policial neste sábado (24)
Fernando Frazão/Agência Brasil -18.9.17
Moradores da Rocinha também ficaram sem luz após operação policial neste sábado (24)

Um tiroteio na favela da Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, deixou oito pessoas mortas no início desta manhã de sábado (24), segundo informações da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ). O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil.

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As mortes ocorreram durante uma operação policial na Rocinha , quando o Batalhão de Choque fazia um patrulhamento na comunidade e foi surpreendido por “criminosos armados” que atiraram contra os policiais, segundo a PMERJ. Conforme informações divulgadas pela Polícia Militar no Twitter, houve confronto na Rua 2 e na Roupa Suja.

Nas redes sociais, nas páginas como Favela da Rocinha e Rocinha Alerta, moradores afirmam que as vítimas se renderam, mas, ainda assim, foram executadas pelos policiais. Segundo nota da Polícia Civil, seis pessoas chegaram a ser levadas para o Hospital Miguel Couto, mas não resistiram.  No ínicio da tarde outros dois corpos foram transportados por moradores até a passarela que liga a favela à Vila Olímpica, onde ficaram até a chegada dos peritos. Nenhum policial foi ferido durante a operação.

Também informam que mais dois criminosos atingidos por balas conseguiram fugir a pé pela mata, escapando do cerco. A PM não comentou as denúncias.

Na última quarta-feira (21) à noite um policial militar e um morador haviam morrido durante outro confronto entre policiais e bandidos da comunidade.

Sem luz

A Rocinha, uma comunidade com cerca de 70 mil pessoas e uma das maiores favelas do país, teve a rede elétrica atingida e está sem luz. A Light, concessionária de energia, informou que, diante da insegurança, não pode enviar técnicos para reestabelecer o fornecimento.

Também nas redes sociais, moradores reclamaram por terem equipamentos afetados no sábado, dia de descanso de boa parte das famílias. Outros contaram que, por conta dos tiroteios, não conseguiram sair para trabalhar.

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O jovem Raull Santiago, do Coletivo Papo Reto, de mídia independente, usou seu perfil para denunciar abusos policiais. “Recebemos várias informações de uma intensa operação esta na Rocinha, onde policiais estão violando o direito de moradores, destruindo casas e esculachando geral durante abordagens na rua”.

Santiago também é coordenador do Movimentos, projeto que reúne jovens de favelas em defesa de uma nova política de drogas, com objetivo de diminuir a violência nas comunidades, altas taxas de homicídio e de encarceramento. O núcleo tem apoio do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, da Universidade Candido Mendes.

O suposto confronto com a PM ocorreu na Rua 2 e na localidade conhecida como "Roupa Suja". No local, foram encontrados pelos policiais um fuzil, sete pistolas e duas granadas.

A PM mantém patrulhamento reforçado na comunidade desde setembro de 2017, quando bandidos de facção criminosa rival à instalada na Rocinha tentaram retomar o controle da venda de drogas. Para auxiliar as polícias, cerca de 1 mil agentes das Forças Armadas fizeram um cerco no local. Nenhum dos traficantes líderes do confronto foi preso, à época.

Marechal

Neste sábado, foi sepultado no Cemitério do Caju, no centro, o morador Antônio Ferreira, de 70 anos, conhecido como Marechal, vítima dos tiroteios provocados pelas operações policiais, na quarta-feira (21). Na mesma ação, o PM Felipe Santos de Mesquita, de 28 anos, baleado no abdômen, também morreu. O soldado foi enterrado ontem (23), em Sulacap.

O serviço Disque Denúncia oferece recompensa de R$ 5 mil por informações que levem aos assassinos de Felipe de Mesquita. O telefone é (21) 2253-1177.

*Com informações da Agência Brasil

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