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Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo informou que abriu sindicância para apurar fatos; alunos afirmam que esse não é primeiro caso

Pichações na porta de um banheiro da FDSBC incluíam dizeres como: “fora sapatão”, “odeio preto” e “fim das cotas”
Reprodução/ Facebook/ Layla Cassimiro
Pichações na porta de um banheiro da FDSBC incluíam dizeres como: “fora sapatão”, “odeio preto” e “fim das cotas”

A Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo (FDSBC), no ABC Paulista, abriu uma sindicância para apurar uma denúncia de racismo feita por alunos da instituição. Em seu perfil no Facebook, a estudante Layla Cassimiro denunciou que havia frases racistas e homofóbicas em uma porta de um dos banheiros da faculdade. As pichações incluíam dizeres como: “fora sapatão”, “fora preta sapatão”, “odeio preto” e “fim das cotas”.

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Em nota, a FDSBC informou que fez um boletim de ocorrência para apurar o caso e que a polícia já realizou, na tarde desta sexta-feira (23), a perícia do local da pichação e liberou o banheiro para limpeza.

No Facebook, a publicação de Layla Cassimiro foi removida pela rede social. "Aponte o racismo e o denunciado será você!", reclamou a estudante.


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Leia a íntegra da nota divulgada pela Faculdade de Direito:

“Tristes e indignados, tivemos ciência na noite de ontem de uma manifestação racista e homofóbica nas dependências de nossa instituição.

A Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo vem a público externar seu repúdio a esse tipo de comportamento. Temos como valores fundamentais a democracia e a dignidade da pessoa humana, totalmente incompatíveis com qualquer atitude de natureza preconceituosa.

Ao longo de mais de 50 anos de existência, a FDSBC jamais tolerou manifestações semelhantes e renova seu compromisso hoje e sempre de incentivar a solidariedade e o convívio civilizado e plural entre todos os seres humanos.

Determinamos medidas urgentes, dentre as quais a instauração de Sindicância para apurar o fato e identificar o responsável, além de oficiar a autoridade policial competente e preservar intacto o local dos fatos para que sejam tomadas as providências legais cabíveis.

Criaremos um Grupo de Trabalho tendente a apresentar um conjunto de ações pedagógicas contra a intolerância, tais como, Ciclo de Palestras, Ciclo de Cinema etc. e convocaremos audiência pública para que a questão possa ser discutida com toda a Comunidade Acadêmica.

São Bernardo do Campo, 22 de março de 2018.

Prof. Rodrigo Gago Freitas Vale Barbosa”

Crime recorrente

De acordo com o Centro Acadêmico XX de Agosto – CAXXA, que representa os alunos da faculdade, essa não é a primeira vez que casos de racismo ocorrem na instituição.  “Nossa indignação se reforça diante da recorrência deste fato, que no ano passado gerou comoção, mas logo foi esquecido pela direção e saiu impune. As demonstrações de machismo, racismo e homofobia são diariamente presenciadas na faculdade”, escreveu o CAXXA.

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“Não podemos e não iremos nos calar diante deste CRIME e, através de todos os meios necessários, mobilizaremos nossas forças junto a vocês, que também se indignam, com a missão de encontrar e punir aquele que cresce para escrever frases atrás de portas. Vai ter preta sim, vai ter preta pra caralho, preta lésbica, preta gorda, preta empoderada. E ai daqueles que tentarem os calar”, afirmaram os representantes dos alunos da FDSBC.