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Marcelo Camargo/Agência Brasil - 22.3.2018
Segundo a SOS Mata Atlântica, a mobilização visa chamar a atenção da sociedade e autoridades para a importância da água

Em mobilização pelo Dia Mundial da Água, comemorado nesta quinta-feira (22), a Fundação SOS Mata Atlântica montou, em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, o “privadão”, uma instalação de 12 metros de altura que simboliza a ausência de instrumentos eficazes de planejamento, gestão e governança da água, sobretudo a falta de saneamento ambiental.

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Segundo a SOS Mata Atlântica , a mobilização visa chamar a atenção da sociedade e autoridades para a importância da água na agenda estratégica brasileira e da necessidade do desenvolvimento de políticas públicas que impactem na gestão da água. No ato Água Limpa Para Todos, a organização Voluntários da Fundação ergueram cartazes e estenderam pelo gramado do Congresso uma bandeira de 750 m2, enquanto entoavam mensagens como “Saneamento Já!” e “Sem Floresta não há Água”.

De acordo com dados do Ministério das Cidades e Instituto Trata Brasil, apenas 44% do esgoto gerado são tratados no País e cerca de 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água tratada . “Precisamos excluir da legislação brasileira os rios de classe 4”, afirmou o Diretor de Políticas Públicas da Fundação, Mario Mantovani, durante o ato. A classe 4, na prática, permite a existência de rios mortos, por ser extremamente permissiva em relação a poluentes – o que mantém muitos rios em condição de qualidade péssima ou ruim, indisponíveis para uso.

Observando os Rios 2018

Dados do estudo “Observando os Rios 2018: o retrato da qualidade da água nas bacias da Mata Atlântica” apontam que dos 294 pontos monitorados em rios da Mata Atlântica, apenas 4% de têm qualidade boa.

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O estudo lançado na quarta-feira (21) no Fórum Mundial da Água apresenta um panorama sobre a qualidade da água de 230 rios, córregos e lagos do bioma. Apenas 4,1% (12) dos 294 pontos de coleta avaliados possuem qualidade de água boa, enquanto 75,5% (222) estão em situação regular e 20,4% (60) com qualidade ruim ou péssima. Isso significa que em 96% dos pontos monitorados a qualidade da água não é boa e está longe do que a sociedade quer para os rios. Nenhum dos pontos analisados foi avaliado como ótimo.

O levantamento foi realizado em 102 municípios dos 17 estados da Mata Atlântica, além do Distrito Federal, entre março de 2017 e fevereiro de 2018.

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Os dados foram obtidos por meio de coletas e análises mensais de água realizadas por 3,5 mil voluntários do programa “Observando os Rios”. “Esse retrato da qualidade da água é fruto da maior rede de monitoramento participativo em atividade no País”, ressaltou o empresário Pedro Luiz Passos, presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, durante o lançamento do relatório.

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