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Empresário apontado como operador de Renan Calheiros (MDB) é um dos alvos da Operação Pausare, deflagrada hoje no DF e em mais três estados

Segundo a PF, funcionários dos Correios precisaram aumentar contribuição devido ao rombo no fundo Postalis
Fernanda Carvalho/Fotos Públicas - 3.3.17
Segundo a PF, funcionários dos Correios precisaram aumentar contribuição devido ao rombo no fundo Postalis

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram nesta quinta-feira (1ª) a Operação Pausare, que apura esquema criminoso responsável por desviar recursos e causar prejuízo de mais de R$ 5 bilhões no fundo Postalis, que é o instituto de previdência complementar dos funcionários dos Correios.

Os nomes das pessoas investigadas tiveram sigilo determinado pela Justiça, mas foi reportado que o empresário Milton Lyra é um dos alvos dos cerca de 100 mandados judiciais cumpridos pelos agentes da PF e do MPF desde o início da manhã em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Distrito Federal e em Alagoas. Lyra é investigado ao lado do senador Renan Calheiros (MDB) em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) . O empresário, que também já foi alvo de condução coercitiva na Lava Jato, é apontado como operador de Renan no repasse de propinas advindas do fundo Postalis .

De acordo com os procuradores responsáveis pelas investigações da Operação Pausare, o funcionamento do esquema criminoso consistia no desvio de verbas do fundo de pensão que deveria beneficiar os empregados dos Correios. Os recursos desviados posteriormente eram destinados a diretores do fundo, a empresas de avaliação de risco, a instituições financeiras, a gestores, a administradores de fundos de investimentos e a empresários.

As suspeitas de má gestão e irregularidades na aplicação dos recursos do fundo surgiram a partir da constatação de que foram realizados nos últimos anos vários investimentos fracassados por parte dos administradores do instituto de previdência complementar. As operações causaram prejuízos e comprometeram a capacidade de custeio dos planos programados de benefícios dos empregados dos Correios.

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Diretores contavam com aval de agências para fazer investimentos arriscados

A Operação Pausare visa a apuração de supostas irregularidades em três operações específicas que foram recomendadas por integrantes da diretoria do fundo de pensão. Somados, os três investimentos custaram mais de R$ 523 milhões aos cofres do Postalis.

Ainda de acordo com o MPF, os diretores do fundo de seguridade escolhiam negócios duvidosos, que nunca saíram do papel. E como os riscos desses investimentos eram altos e desproporcionais às expectativas de lucro, era necessário incluir no esquema agências de avaliação de risco e empresas de avaliação que concordassem em avalizar os investimentos, e dar uma aparência de legalidade aos papeis a serem comprados pelo fundo de pensão.

Segundo a PF, os desvios bilionários provocaram seguidos défices no balanço do fundo Postalis, o que obrigou aposentados e funcionários dos Correios, bem como o Tesouro Nacional, a aumentar a contribuição para o fundo de previdência complementar.

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