Tamanho do texto

Após rompimento de barragem em 2015, mineradora ainda espera licenças ambientais para poder reiniciar atividades; tragédia deixou 19 vítimas fatais

Rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG) provocou a maior tragédia ambiental do País
Fred Loureiro/Secom/ES - Arquivo
Rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG) provocou a maior tragédia ambiental do País

A mineradora Samarco deverá retomar suas atividades apenas do ano que vem. A empresa está com as operações suspensas desde novembro de 2015, quando ocorreu o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG). O fato, classificado como a maior tragédia ambiental do País, deixou 19 pessoas mortas.

Leia também: Polícia Federal deflagra ação contra pedofilia em 14 estados brasileiros

A previsão era de que a Samarco voltasse a operar no segundo semestre deste ano, o que não irá se concretizar. Para que as atividades sejam reiniciadas, a mineradora depende de duas licenças ambientais junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad): uma de liberação da cava [cova resultante de atividade mineradora] de Alegria do Sul, no município de Ouro Preto (MG), que a companhia pretende utilizar como depósito de rejeitos ao retomar suas operações; e a aprovação do Licenciamento Operacional Corretivo (LOC), determinado pelo governo do estado, para revalidação das licenças de todo o Complexo de Germano, suspensas desde outubro de 2016.

Entretanto, mesmo após a obtenção dos documentos, a empresa calcula que precisará de, pelo menos, seis meses para realizar obras estruturais de engenharia para preparação da cava.

De acordo com estudo sobre o impacto financeiro da paralisação da mineradora em 2017, encomendado à Tendência Consultoria Integrada, com a revisão dos prazos para a mineradora voltar a operar, deixarão de ser arrecadados no próximo ano R$ 989 milhões em impostos federais, estaduais e municipais. Além disso, cerca de 20 mil vagas diretas e indiretas de emprego estão em risco.

Andamento

O processo para liberação da cava está em andamento. Em novembro, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) concedeu a anuência para a utilização da cava. No entanto, o licenciamento do governo mineiro é obrigatório.

Leia também: Após dez anos, ninguém foi punido pelo acidente da TAM em São Paulo

Já o segundo processo trata do chamado Licenciamento Operacional Corretivo (LOC). Esse processo depende da entrega, pela mineradora, de um Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). A empresa diz que o documento passa por estudos internos e não tem prazo para ser entregue à Semad.

De acordo com a assessoria de imprensa da mineradora , a finalização do estudo depende da anuência das prefeituras de cinco municípios que estão no entorno do complexo industrial da empresa. Quatro já concederam a anuência, menos o município de Santa Bárbara.

Reinício

A empresa pretende retomar as operações com 60% de sua capacidade produtiva. A cava de Alegria do Sul pode armazenar aproximadamente 17 milhões de metros cúbicos de rejeitos e não tem conexão física com o Complexo de Germano, ao qual pertencia a Barragem de Fundão .

Leia também: Emissão de passaportes é retomada; 175 mil pedidos foram acumulados

De acordo com a proposta, a estrutura seria utilizada por dois anos e, nesse período, a mineradora se encarregaria de apresentar alternativas para os anos posteriores. Ao dar o seu aval à mineradora, o DNPM considerou que “a solução proposta é extremamente segura”. A intenção da Samarco é produzir aproximadamente 36,7 milhões de toneladas de minério de ferro nos dois primeiros anos após a retomada.


* Com informações da Agência Brasil

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.