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Reitor da universidade afirma que a recuperação pode levar anos; professores, técnicos e alunos são prejudicados por crise e serviços ao público podem ser suspensos por falta de pagamento do estado do Rio

Todo ano, entre 300 e 400 alunos deixam a Uerj, número que dobrou em 2016, segundo informou o reitor
Thiago Facina/Uerj
Todo ano, entre 300 e 400 alunos deixam a Uerj, número que dobrou em 2016, segundo informou o reitor

A crise econômica do estado do Rio atingiu fortemente a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que está com atraso de três meses no pagamento de técnicos e professores, além de um calendário acadêmico que não saiu de 2016 em pleno junho de 2017. Como consequência, a universidade viu dobrar a evasão de alunos no ano passado, segundo afirmou o reitor Ruy Garcia Marques, que conversou com a imprensa nesta quarta-feira (14).

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Na coletiva realizada com o reitor, ele confirmou que as inscrições no vestibular estão diminuindo. “Certamente isso iria acontecer. Até em casa, meu filho, de 16 anos, me diz que não sabe se quer ir para a Uerj ", lamentou o reitor, que defende a instituição, considerada uma das mais conceituadas do Brasil. “Sem dúvida nenhuma a Uerj vale a pena, mas vai levar tempo para a gente recuperar a grandeza desse nome”, completou.

Ainda de acordo com Marques, todo ano, entre 300 e 400 alunos deixam a universidade, número que dobrou em 2016. Ele ainda enfatizou o impacto dos atrasos de pagamentos na permanência dos alunos bolsistas da instituição, pioneira em ações afirmativas no País. Pelo menos 10 mil alunos em dificuldade financeira – cotistas e não cotistas – recebem, mensalmente, um auxílio de R$ 450, que ajudam na locomoção e na frequência. “São bolsas pequenas, mas absolutamente indispensáveis”, defende o reitor.

Greve

Os técnicos administrativos da universidade estão em greve, já que estão sem receber os salários de abril e maio, além do 13º salário do ano passado. Os professores continuam dando aulas conforme as possibilidades de deslocamento até a universidade , contudo a situação salarial é a mesma.

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“Muitos alunos não estão conseguindo comparecer às aulas, assim como os docentes, que vendem os carros, voltam a morar com os pais. Técnicos administrativos vivem a mesma coisa, chegam a pegar empréstimos. Está afetando todos os segmentos”, conta o reitor.

Além dos funcionários e alunos da universidade, os problemas de pagamento do estado coloca em risco o funcionamento de serviços prestados à sociedade, como o atendimento de psicologia e odontologia do Hospital Universitário Pedro Ernesto, que pode ter seus serviços suspensos, assim como as pesquisas que dependem dos recursos estaduais para sua manutenção.

"A pesquisa não é uma coisa que a gente possa interromper aqui, e daqui a seis meses, quando as coisas melhorarem, a gente recomeça. Tem que recomeçar do zero."

O governo do estado do Rio afirmou nesta terça-feira (13) que a folha de pagamento deve ser regularizada dentro de um período de 45 dias, com a adesão do estado ao Plano de Recuperação Fiscal da União.

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Servidores estaduais da educação , da segurança pública, administração penitenciária e defesa civil devem receber os salários de abril e maio ainda hoje. A Uerj é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social.

 *As informações são da Ag. Brasil.

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