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Fernanda Carvalho/Fotos Públicas - 3.3.17
Operação Perfídia foi deflagrada no Distrito Federal e em 11 estados contra grupo que lavou mais de US$ 5 bilhões

Logo após a deflagração da Operação Perfídia, nesta quarta-feira (26) , a Justiça do Distrito Federal autorizou uma série de diligências da segunda fase da megaoperação, que incluiu o cumprimento de buscas e apreensões em 12 cartórios espalhados por nove estados do País. Alvo de um dos mandados de prisão temporária cumpridos ontem, a advogada Cláudia Chater, é prima de Carlos Habib Chater, doleiro que foi um dos principais investigados da primeira fase da Operação Lava Jato, em 2014.

A ligação entre Cláudia, que é apontada como chefe do esquema que lavou mais de US$ 5 bilhões no exterior e também envolvia a emissão de documentos falsos, e o doleiro da Lava Jato é um dos fatores que levam os investigadores a crer que o esquema é bem maior do que aquilo que já foi apurado.

Outro indício que aponta para essa direção, de acordo com o Ministério Público Federal, são as empresas usadas pelo grupo para a prática dos crimes. Já foram identificadas pessoas jurídicas ligadas aos integrantes do esquema em vários ramos, como casas lotéricas, postos de gasolina, hotéis, administradoras de imóveis e até lojas de tecido.

Até o momento, ainda não foram identificados os reais beneficiários do esquema de lavagem de dinheiro promovido no exterior pelos integrantes do grupo, que possuía ramificações em ao menos cinco países. Entre os investigados estão advogados, contadores, serventuários de cartórios, empregados de concessionárias de serviços públicos e um servidor da Polícia Federal.

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Não é só falsificação de documentos

As investigações da Operação Perfídia tiveram início em agosto do ano passado, quando foi preso no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, o jordaniano Ismail Suleimsn Hamdan Al Helalat, que portava um passaporte brasileiro falso. Posteriormente, a apuração mostrou que o documento foi providenciado por integrantes do esquema liderado por Cláudia Chater.

Foi identificado que a organização criminosa realizava operações de câmbio não-autorizadas, além de dissimularem a aquisição de imóveis de alto valor e promover a evasão de divisas. Para isso, eles se utilizavam de “laranjas” e falsificavam documentos públicos, especialmente certidões de nascimento emitidas em cartórios no interior do Brasil.

Durante as investigações, foi possível conferir que a falsificação de documentos, sempre fornecidos a pessoas de origem árabe, era uma prática comum da organização criminosa, mas que esse não era o único delito cometido pelo grupo.

Segundo documento levado pela Polícia Federal à 10ª Vara da Justiça no DF, a "finalidade e modo de agir" da organização criminosa ainda não são totalmente compreendidas, mas as apurações já realizadas indicam o uso da falsificação de documentos e a "interposição de pessoas para consecução de seus objetivos, incluindo a remessa de valores ao exterior".

"Essa mesma estrutura também seria empregada na realização de atos de ocultação, dissimulação de movimentação, da origem e destino de valores, ainda restando apurar os reais beneficiários dessas ações", indica o documento.

Os investigadores da PF também afirmam que ainda há "muitos pontos que permanecem obscuros", mas há  "inegável convergência de elementos indicadores de que o grupo Chater está atuando com empresas ligadas ao ramo de hotelaria, postos de gasolina, lotéricas, troca de moeda estrangeira, contas no exterior e offshore , não atendendo apenas aos próprios interesses, e tampouco se dedicando somente à falsificação de documentos". 

Em uma única transação, segundo o Ministério Público Federal, a empresa Global Recreative Sistem – GRS C.A, uma offshore com sede na Venezuela, movimentou US$ 5 bilhões. A mesma empresa é apontada como a compradora de uma fazenda no valor de R$ 100 milhões. Neste caso específico, as investigações revelaram o pagamento de uma comissão de R$ 1,5 milhão a Cláudia Chater.

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Depoimento nesta quinta-feira (27)

A advogada deve ser interrogada ainda nesta quinta-feira (27) pelas autoridades policiais. 

O Ministério Público Federal solicitou que a Justiça determine a proibição de Cláudia deixar o País após o fim do prazo de sua prisão temporária – que é de cinco dias. "As investigações demandam imediata continuidade, sem interrupções decorrentes, por exemplo, de viagens ao exterior por parte da principal investigada", diz o MPF em documento levado ao juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília.

O chamado 'núcleo duro' do esquema, liderado pela advogada Cláudia Chater, era composto por pessoas da própria família da investigada. Entre essas pessoas estaria o próprio Carlos Habib Chater, primo de Cláudia.

Carlos foi um dos quatro doleiros no alvo da primeira fase da Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014, época em que os crimes envolvendo a Petrobras ainda eram desconhecidos. Além de Carlos, estavam na mira dos investigadores os doleiros Alberto Youssef, Nelma Kodama e Ricardo Henrique Srour.

Naquela ocasião, cada um dos quatro investigados foi alvo de uma operação específica: Dolce Vita (Nelma), Casablanca (Ricardo), Bidone (Youssef) e Lava Jato (Chater). O consagrado nome da operação contra o primo de Cláudia Chater foi escolhido em razão de Carlos Habib ser dono do Posto da Torre, em Brasília,  empresa que era usada no esquema de lavagem de dinheiro.

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