Com mais de 100 mandados judiciais, Operação Perfídia foi deflagrada nesta quarta em 11 estados e no Distrito Federal; alvos são mantidos em sigilo

Operação Perfídia foi deflagrada no Distrito Federal e em 11 estados contra grupo que lavou mais de US$ 5 bilhões
Fernanda Carvalho/Fotos Públicas - 3.3.17
Operação Perfídia foi deflagrada no Distrito Federal e em 11 estados contra grupo que lavou mais de US$ 5 bilhões

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (26) megaoperação contra uma organização criminosa que teria lavado mais de US$ 5 bilhões no exterior. As investigações indicam que o grupo atuava em ao menos cinco países e contava com o apoio de advogados, contadores, serventuários de cartórios, empregados de concessionárias de serviços públicos e até de um servidor da própria PF.

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Mais de 200 agentes federais cumprem um total de 103 mandados judiciais no âmbito da Operação Perfídia , sendo que a maioria deles se concentra no Distrito Federal. As diligências, que envolvem dois pedidos de prisão temporária, 46 mandados de condução coercitiva e 55 de busca e apreensão, também ocorrem em outras 11 unidades federativas: Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins.

Os alvos e maiores detalhes da operação serão mantidos sob sigilo pelo período de 24 horas, medida que foi determinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do DF. O magistrado foi o responsável por atender aos pedidos do Ministério Público Federal que originaram a operação desta quarta-feira.

Segundo informações da Polícia Federal e do MPF, as investigações tiveram início em agosto do ano passado, quando um estrangeiro que portava passaporte brasileiro falso foi preso em flagrante no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. Posteriormente, a apuração mostrou que o documento foi providenciado por integrantes do esquema.

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Esquema bilionário

Foi identificado que a organização criminosa realizava operações de câmbio não-autorizadas, além de dissimularem a aquisição de imóveis de alto valor e promover a evasão de divisas. Para isso, eles se utilizavam de “laranjas” e falsificavam documentos públicos, especialmente certidões de nascimento emitidas em cartórios no interior do Brasil.

O denominado "núcleo duro" do grupo, formado por proprietários de postos de gasolina, agências de turismo, lotéricas, entre outros estabelecimentos, era responsável pela aquisição fraudulenta de imóveis e ativos para fins de lavagem de dinheiro. Somente em uma das operações de compra e venda identificada pela PF, o negócio chegou a R$ 65 milhões.

Ainda em 2016, a PF realizou ação em endereços ligados a um dos integrantes desse "núcleo duro" e encontrou documentos que apontam para uma empresa do tipo offshore controlada pela organização no exterior que pode ter realizado movimentações que excedem a cifra de US$ 5 bilhões.

Segundo a Polícia Federal, o nome da operação Perfídia é uma referência à traição e deslealdade dos integrantes do núcleo duro da organização criminosa com o País.

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