Tamanho do texto

Diante do massacre em Manaus, o chefe do Ministério da Justiça, Alexandre de Moraes, opta por se esconder atrás de um número que nada explica

O ministro inocente: Alexandre de Moraes finge ser de outro planeta ao ignorar desvios e superfaturamentos nos estados
Roberto Castro/ ME/Fotos Públicas
O ministro inocente: Alexandre de Moraes finge ser de outro planeta ao ignorar desvios e superfaturamentos nos estados


O Brasil acaba de assistir à maior carnificina em presídios brasileiros desde o massacre do Carandiru, ocorrido em 1992 em São Paulo. Desta vez 56 presos foram assassinados, decapitados, queimados e desmembrados em Manaus. Aqui, aquela velha máxima dizendo que filho feio não tem pai, se aplica perfeitamente ao se observar as ações e inações do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

Diante do  assombroso massacre   o que vemos?  A inoperância do Estado e o surrado jogo de empurrar responsabilidades, que desta vez envolve:   Alexandre de Moraes , a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas e a empresa responsável pela administração do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

Enquanto o secretário de segurança do Amazonas, Sérgio Fontes, responsabiliza a empresa que administra o presídio e esta rebate dizendo que a culpa é do Estado, o ministro nega suas atribuições ao dizer que desconhecia qualquer risco de fugas ou guerras entre facções criminosas dentro dos presídios do Amazonas. O secretário Fontes volta a defletir a responsabilidade para o ministro ao dizer que essa situação crítica era conhecida há muito tempo, e que os agentes federais obtinham exatamente as mesmas informações que sua secretaria. 

Algumas instituições ainda funcionam no Brasil

Isso é patético. A autoridade maior é o ministro. É dele que se espera a liderança para colocar ordem nessa confusão, a iniciativa de propor soluções e implementá-las eficazmente para impedir que este ciclo de atrocidades anunciadas continue a ocorrer nos presídios do nosso País. No entanto, Alexandre de Moraes se limitou a dar muitas entrevistas e informar que fez sua parte quando  o Ministério da Justiça repassou R$ 1,2 bilhão para os estados cuidarem do sistema penitenciário.

Se de fato o ministro enviou essa quantia para os estados, parece necessário fazer uma auditoria para descobrir onde foi parar esse dinheiro. Com um investimento tão vultoso, como explicar a liberdade de ação que as facções criminosas possuem para fazer o que querem nos presídios? Como explicar que a autoridade e controle dos presídios foi transferida do Estado para os criminosos? 

Não sabemos em que país o ministro vive. No Brasil, passamos por uma situação crítica de mudança comportamental em função das descobertas diárias de escabrosos casos de corrupção. Não basta mais o ministro anunciar que "repassou a verba".  Alexandre de Moraes sabe, ou ao menos tem interesse em saber, onde esses recursos foram parar? Será que os corriqueiros desvios e superfaturamentos são os reais fatores que explicam a falta de resultados consistentes nos nossos presídios? O Povo brasileiro quer saber quem é o pai deste filho medonho.

Leia Mais: Batalhão de Choque do Estado de São Paulo defende a democracia