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Guerra entre PCC e aliados do CV gerou rebelião de 17 horas no Complexo Penitenciário Anísio Jobim e teve o maior número de mortes desde o massacre do Carandiru; 87 detentos conseguiram fugir durante o motim

Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) está localizado em rodovia na saída de Manaus
Divulgação/Umanizzare
Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) está localizado em rodovia na saída de Manaus

Uma rebelião deixou 56 mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), o maior presídio do Amazonas. O número inicialmente informado dava conta de 60 mortos, mas foi revisado após a constatação de que partes de corpos mutilidados foram contabilizadas mais de uma vez em alguns casos. O motim teve início no início da tarde do domingo (1º) e só foi encerrado nesta manhã (2), durando mais de 17 horas.

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De acordo com informações da Secretaria da Administração Penitenciária do Amazonas, todos os mortos eram detentos da unidade prisional. Ao todo, 87 conseguiram fugir do local durante a rebelião . O número de detentos recapturados não foi informado.

A matança em Manaus representa a maior carnificina em presídios brasileiros desde o massacre do Carandiru, em São Paulo, onde 111 detentos foram mortos durante ação da polícia em 1992.

O secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, confirmou que a chacina é resultado da rivalidade entre duas organizações criminosas que disputam o controle de atividades ilícitas na região amazônica: a Família do Norte (FDN) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Aliada ao Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, a FDN domina o tráfico de drogas e o interior das unidades prisionais do Amazonas. Desde o segundo semestre de 2015, líderes da facção criminosa amazonense vêm sendo apontados como os principais suspeitos pela morte de integrantes do PCC, grupo que surgiu em São Paulo, mas já está presente em quase todas as unidades da federação.

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Agentes penitenciários da empresa Umanizzare, que administra a unidade, e 74 presos foram feitos reféns. Parte desses detentos foram assassinados e ao menos seis apenados foram decapitados. Corpos foram arremessados por sobre os muros do complexo. A penitenciária abrigava 1.072 detentos, de acordo com o site da Umanizzare.

Ministério da Justiça

Em nota, o Ministério da Justiça informou que o ministro Alexandre de Moraes esteve em contato com o governador do Amazonas, José Melo de Oliveira, "durante todo o tempo". Ainda segundo o ministério, o governo estadual deve utilizar parte dos R$ 44,7 milhões de repasse que o Fundo Penitenciário do Amazonas recebeu do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) na última quinta-feira (29) para reparar os estragos decorrentes da rebelião na unidade.

*Com informações da Agência Brasil


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