Magne Viking
Reprodução / Sea1 Offshore
Magne Viking

O Magne Viking é um navio de apoio offshore projetado para operar em regiões de clima extremo, como o Ártico. Com motores de aproximadamente 20 mil cavalos de potência, a embarcação consegue navegar em áreas cobertas por gelo de até um metro de espessura.

Diferentemente dos quebra-gelos tradicionais, o navio foi desenvolvido para desempenhar diferentes funções em operações marítimas, como rebocar estruturas, transportar suprimentos e instalar ou remover âncoras pesadas. Sua capacidade de enfrentar o gelo depende de uma combinação de potência, formato do casco e resistência estrutural.

Segundo o engenheiro naval Gustavo Assi, professor da Universidade de São Paulo (USP), a potência da embarcação e a geometria do casco são os principais fatores que permitem com que ela rompa superfícies congeladas. 


O que diferencia o Magne Viking de um quebra-gelo tradicional? 

O principal diferencial do Magne Viking está no formato da proa, a parte dianteira da embarcação. Apelidada de “formato de machado”, a estrutura foi projetada para concentrar a pressão sobre o gelo e provocar fraturas à medida que o navio avança.

"Imagina como se fosse uma faca afiada ou uma proa no formato de machado, que à medida que o navio sobe e desce, movimentando na água... esse movimento de sobe e desce vai fraturando ou trincando o gelo", explica o engenheiro. 

O Magne Viking pertence à categoria AHTS, sigla em inglês para navios de manuseio de âncoras, reboque e suprimentos. Em vez de ser dedicado exclusivamente à abertura de caminhos no gelo, ele reúne diferentes funções de apoio às operações offshore.

“Ele é um navio pequeno, de operações rápidas, com casco muito forte, mas que consegue operar numa região de gelo da ordem de um metro de espessura”, afirma Assi.

Outra característica é sua capacidade de tração, de aproximadamente 250 toneladas, medida conhecida como bollard pull. O indicador representa a força máxima de tração estática que o navio consegue exercer, essencial para rebocar estruturas pesadas e movimentar âncoras.

A embarcação também conta com casco duplo, que ajuda a conter possíveis infiltrações caso a estrutura externa seja danificada, e proteções ao redor dos hélices, que reduzem o risco de danos causados por fragmentos de gelo.

A combinação dessas soluções permite que o Magne Viking opere em ambientes congelados sem abrir mão da versatilidade e da agilidade necessárias às operações offshore.

No entanto, o especialista explica que há limites para sua capacidade, uma vez que o desempenho depende das condições do gelo e do ambiente e ele não substitui quebra-gelos especializados em condições mais severas. 

@portal_ig Com motores de 20 mil cavalos de potência e casco reforçado, o Magne Viking foi projetado para romper placas de gelo de até um metro de espessura O Magne Viking é um navio de apoio offshore projetado para operar em regiões de clima extremo, como o Ártico. Com motores de aproximadamente 20 mil cavalos de potência, a embarcação consegue navegar em áreas cobertas por gelo de até um metro de espessura. Diferentemente dos quebra-gelos tradicionais, o navio foi desenvolvido para desempenhar diferentes funções em operações marítimas, como rebocar estruturas, transportar suprimentos e instalar ou remover âncoras pesadas. Sua capacidade de enfrentar o gelo depende de uma combinação de potência, formato do casco e resistência estrutural. 🔗 Veja as notícias do iG e acesse o Canal do Whatsapp no Link da Bio 📲 📹 Reprodução #iG ♬ som original - iG


Como a engenharia protege o navio contra o gelo e o frio extremo?

Para suportar os impactos contra o gelo, o Magne Viking conta com uma proa blindada, reforços estruturais internos e casco duplo estanque, que ajuda a impedir a entrada de água caso a estrutura externa seja danificada. Os hélices também são protegidos por bocais que reduzem o risco de danos provocados por fragmentos de gelo.

Outro desafio é a resistência dos materiais. Em temperaturas muito baixas, o aço pode perder tenacidade e ficar mais suscetível a fraturas. Por isso, são utilizadas ligas metálicas e materiais de solda adequados a essas condições. “O aço do navio, para funcionar em ambientes muito frios, precisa ser um aço especial, porque senão ele fica frágil”, explica Gustavo Assi.

A estrutura também precisa suportar a fadiga provocada pelos impactos repetidos durante a navegação. “À medida que ele vai quebrando o gelo, ele sente um carregamento e para, sente e para. Isso causa fadiga estrutural”, afirma o especialista. A combinação entre esforços cíclicos e baixas temperaturas exige cuidados específicos no projeto para evitar o surgimento e a propagação de trincas no casco.

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