
A Serra Antiga da Rodovia dos Tamoios , ligação entre o Vale do Paraíba e o Litoral Norte de São Paulo, tem cinco pontos com risco de deslizamentos de terra, segundo levantamento da Defesa Civil de Caraguatatuba . O relatório aponta áreas de erosão e instabilidade no terreno e propõe obras para reduzir a possibilidade de escorregamentos, principalmente durante períodos de chuva intensa.
O documento foi elaborado após uma sequência de interdições preventivas da rodovia em setembro, quando o trecho ficou fechado três vezes em apenas cinco dias devido ao volume de chuva . De acordo com a Defesa Civil, quatro dos cinco locais identificados foram classificados como críticos.
Entre as medidas recomendadas estão obras de contenção de encostas, instalação de canaletas e estruturas para conduzir a água da chuva, além da aplicação de revestimentos para ajudar a estabilizar o solo.
Segundo a Prefeitura de Caraguatatuba, o relatório foi encaminhado ao Governo de São Paulo e ao Ministério Público.
Quais são os pontos de risco na Serra Antiga?
O levantamento identificou trechos que exigem atenção nos quilômetros 71, 73,5, 74 e 81,5 da Serra Antiga da Tamoios . As áreas apresentam sinais de erosão ou condições de instabilidade que podem favorecer o deslocamento de terra.
Embora o relatório mencione cinco pontos de risco, os locais são agrupados em quatro referências quilométricas, já que pode haver mais de uma área vulnerável em um mesmo trecho.
O coordenador da Defesa Civil de Caraguatatuba, capitão Oduvaldo Romano, explicou que os locais vistoriados apresentam fragilidades que podem resultar em escorregamentos.
A presença desses pontos não significa que um deslizamento ocorrerá necessariamente, mas indica a necessidade de monitoramento e de medidas para diminuir os riscos, sobretudo quando há chuva volumosa.
Quais obras são recomendadas?
O relatório sugere intervenções para reforçar as encostas e controlar a água que chega ao solo. Entre as medidas apontadas estão:
- Contenção de taludes: estruturas destinadas a aumentar a estabilidade de terrenos inclinados e reduzir o risco de desmoronamentos.
- Instalação de canaletas: sistemas que ajudam a direcionar a água da chuva e evitar que ela provoque erosão.
- Construção de escadas hidráulicas: estruturas que conduzem a água por trechos inclinados, reduzindo a velocidade do escoamento.
- Revestimento do terreno: aplicação de materiais, incluindo concreto em pontos indicados, para proteger áreas vulneráveis e auxiliar na estabilização do solo.
As intervenções têm como objetivo reduzir a possibilidade de movimentação de terra e diminuir a exposição dos usuários da rodovia a situações de perigo.
Segundo a Defesa Civil, parte dos problemas identificados já era conhecida pela concessionária responsável pela estrada e pelo governo estadual, tendo sido mencionada em relatórios e vistorias anteriores.
Por que a Serra Antiga é interditada quando chove?
O fechamento preventivo da Serra Antiga ocorre quando o acumulado de chuva ultrapassa 100 milímetros em até 72 horas, conforme o protocolo citado no levantamento. O procedimento busca reduzir o risco de acidentes em um trecho de serra sujeito a instabilidades do terreno.
Chuvas intensas podem encharcar o solo, aumentar seu peso e diminuir a resistência de determinadas encostas. Quando a água se acumula ou escoa de forma inadequada, também pode provocar erosão e contribuir para o deslocamento de terra.
Por isso, a interdição pode ser determinada mesmo sem um deslizamento em andamento: a medida é preventiva e procura evitar que motoristas sejam surpreendidos por ocorrências durante a passagem pelo trecho.
Em setembro, a Serra Antiga foi interditada três vezes em cinco dias por causa das condições de chuva. Os episódios voltaram a chamar a atenção para a segurança da ligação rodoviária entre o Vale do Paraíba e o Litoral Norte.
Interdições afetam cidades do Litoral Norte
Além dos impactos para os motoristas, os fechamentos da Serra Antiga podem afetar serviços e atividades econômicas da região . Segundo o coordenador da Defesa Civil de Caraguatatuba, as consequências incluem dificuldades para o transporte de cargas e reflexos nas áreas de saúde, educação e comércio.
A rodovia é uma ligação importante para o deslocamento de moradores, trabalhadores, turistas e mercadorias. Quando o tráfego é interrompido, viagens podem ficar mais demoradas, e o transporte de produtos e o acesso a serviços podem sofrer alterações.
As interdições preventivas, por outro lado, são adotadas para preservar a segurança diante das condições identificadas no monitoramento.
O que dizem a concessionária e a Artesp?
Em nota, a Concessionária Tamoios afirmou que as interdições são definidas com base em estudos técnicos e validadas pelas autoridades competentes.
A empresa informou que, horas antes do fechamento efetivo da Serra Antiga, é acionado um grupo de crise composto pela concessionária, pelas Defesas Civis estadual e municipais, pelo Corpo de Bombeiros, pela Polícia Militar Rodoviária, pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e por outras instituições.
A concessionária também declarou que a população é informada previamente sobre os bloqueios e que todas as obras previstas no contrato de concessão foram executadas, além de outras intervenções identificadas pela própria empresa como necessárias.
Já a Artesp afirmou que, até o momento, não identificou descumprimento contratual relacionado à Rodovia dos Tamoios. A agência também informou ter conhecimento do protocolo de monitoramento e alerta operacional utilizado para decidir sobre o fechamento da Serra Antiga.
A Prefeitura de Caraguatatuba informou que encaminhou o relatório ao governo estadual e ao Ministério Público.