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Uma comissão internacional identificou 17 ameaças com potencial para provocar graves impactos na saúde e na sobrevivência da humanidade até 2100. Publicado na revista científica The Lancet, o relatório reúne riscos como mudanças climáticas, pandemias, resistência antimicrobiana e desigualdade de renda. Entre os cenários analisados, dois se destacam pela possibilidade de causar a extinção humana, sendo eles um conflito nuclear e o uso malicioso da inteligência artificial (IA).

O estudo foi elaborado por 37 especialistas de áreas como saúde, economia, segurança e tecnologia. A pesquisa considera os efeitos que diferentes ameaças podem provocar ao longo deste século e avalia como políticas públicas e outras intervenções poderiam reduzir os danos.


As 17 ameaças à saúde e à sobrevivência da humanidade identificadas pela comissão são:

  • Poluição do ar;
  • Redução da assistência internacional à saúde;
  • Pandemias de origem natural;
  • Resistência antimicrobiana;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Obesidade;
  • Desnutrição infantil;
  • Hipertensão arterial;
  • Problemas de saúde mental;
  • Mudanças climáticas;
  • Desigualdade de renda;
  • Tabagismo;
  • Conflitos armados convencionais;
  • Baixo nível de escolaridade;
  • Envelhecimento não saudável;
  • Uso malicioso da inteligência artificial;
  • Conflito nuclear.

Embora a probabilidade de um conflito nuclear ou do uso malicioso da IA provocar consequências extremas seja considerada baixa, os pesquisadores ressaltam que a dimensão dos danos potenciais exige medidas preventivas.

Mudanças climáticas e os riscos à saúde

As mudanças climáticas também aparecem entre as ameaças analisadas. Segundo a comissão, o aquecimento global pode agravar problemas de saúde existentes e aumentar a exposição da população a condições extremas, como ondas de calor e fumaça de incêndios florestais.

Os efeitos não devem atingir todas as populações da mesma maneira. Comunidades em situação de vulnerabilidade socioeconômica tendem a enfrentar consequências mais severas, especialmente em regiões com menor capacidade de adaptação e acesso limitado aos serviços de saúde.

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O relatório estima que limitar o aquecimento global a aproximadamente 1,8°C, em vez de permitir que as temperaturas aumentem até 4,4°C, poderia evitar a perda de cerca de 1,89 bilhão de anos de vida saudável até o fim do século.

No entanto, os autores alertam que os impactos podem ser ainda maiores do que os calculados. A estimativa não contempla integralmente consequências como deslocamentos populacionais, insegurança hídrica, secas prolongadas e prejuízos à saúde mental. Além disso, os efeitos climáticos podem se intensificar ao longo das próximas décadas e agravar outras ameaças.

Prevenção e monitoramento

Para enfrentar os riscos identificados, a comissão propõe três frentes de atuação. A primeira é ampliar a preparação dos sistemas de saúde e fortalecer a capacidade de resposta a crises, com atenção especial às populações mais vulneráveis.

A segunda envolve investimentos em ciência e inovação, incluindo o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e tecnologias capazes de contribuir para a redução dos riscos. A terceira é estabelecer um monitoramento contínuo das ameaças que permita atualizar as avaliações conforme novas evidências científicas estejam disponíveis.

Os pesquisadores ressaltam que as estimativas estão sujeitas a incertezas e podem mudar com o avanço do conhecimento e as transformações nas condições globais.

Segundo os especialistas, decisões tomadas no presente podem influenciar a saúde e a qualidade de vida das próximas gerações.

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