40% da população mundial foi exposta à poluição em 2026

Ásia, Europa e América do Norte foram os mais afetados pela poluição por ozônio troposférico, um dos riscos ambientais que mais afetam a saúde humana

Qualidade do ar de São Paulo aparece em ranking de três cidades mais poluídas do mundo
Foto: Fabio Ikezaki / Flickr
Qualidade do ar de São Paulo aparece em ranking de três cidades mais poluídas do mundo

O Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus (CAMS), programa da União Europeia, divulgou um novo relatório sobre os impactos da poluição do ar na atmosfera. Segundo ele, o calor extremo e a poluição do ar causada pela atividade humana fizeram quase 40% da população mundial entrar em contato com níveis perigosos de ozônio troposférico .

Esse poluente, apesar de menos discutido e desempenhar um papel secundário, é um dos principais riscos ambientais que afetam a saúde humana. Ele surge quando determinados poluentes entram em reação com a luz solar e temperaturas elevadas, como em caso de incêndios e ondas de calor. 

Além da saúde humana, ele também é prejudicial aos ecossistemas e a produtividade das culturas agrícolas . O ozônio é considerado um desafio global porque sofre grandes influências da temperatura, da radiação solar e também pela sua longa permanência na atmosfera. 

De acordo com a pesquisa, a Ásia foi a região mais afetada pela poluição deste gás, com pelo menos 60% da sua população exposta a níveis extremamente altos de ozônio em 2026 Esse percentual sobe para 90% quando considerados aqueles expostos a níveis “ruins” ou “muito ruins” de ozônio. 

O segundo continente mais afetado foi a Europa, 50% da população foi exposta a níveis classificados como “ruins”, “muito ruins” e “extremamente ruins”. Segundo o relatório, as sucessivas ondas de calor registradas no continente contribuíram para o aumento da exposição durante os meses de verão, evidenciando a relação cada vez mais estreita entre eventos climáticos extremos e qualidade do ar.

Na América do Norte, mais de dois terços da população também foram expostos a níveis classificados como “ruins”, “muito ruins” ou “extremamente ruins”. Os incêndios florestais extremos registrados em 2026 contribuíram para a emissão de precursores do ozônio e para a manutenção de concentrações elevadas do poluente.

A Oceania, a América do Sul e a África registraram níveis mais baixos de poluição por ozônio. No caso da América do Sul, 81% da população foi exposta a níveis “bons” ou “razoáveis” . 


Poluição sem fronteiras

Outro ponto destacado pelo relatório é o de que a poluição por ozônio não se limita geograficamente e pode atravessar fronteiras e continentes. A fumaça de incêndios florestais, poeira desértica e outras formas de poluição atravessam quilômetros e afetam a qualidade do ar de pessoas em outros lugares. 

Na América do Norte, por exemplo, incêndios no Canadá e no oeste dos Estados Unidos produziram grandes volumes de fumaça que se deslocaram por milhares de quilômetros. Parte dessas plumas chegou ao Oceano Atlântico e também à Europa, contribuindo para o aumento das concentrações de partículas finas, como o PM2,5.

No Sudeste Asiático, incêndios sazonais provocaram episódios de névoa transfronteiriça, afetando países como Tailândia e Laos . Na África, a poeira do Saara também foi transportada para regiões distantes, alcançando o Atlântico Norte, Cabo Verde, as Ilhas Canárias e o Caribe .

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Para os especialistas, a qualidade do ar de uma determinada região não depende apenas das emissões produzidas localmente. Incêndios, atividades industriais, transporte, poeira e condições meteorológicas podem se combinar e transportar poluentes por grandes distâncias, tornando a poluição atmosférica um problema que ultrapassa fronteiras nacionais.

Outro fator que preocupa os pesquisadores é a relação entre poluição e mudanças climáticas. O próprio ozônio é um gás de efeito estufa e, ao mesmo tempo, temperaturas mais elevadas podem favorecer sua formação. Segundo eles, ondas de calor e outros eventos associados às mudanças climáticas podem contribuir para condições mais favoráveis ao aumento da poluição por ozônio.