
Há 15 anos, o japonês Yasuo Takamatsu vasculha as águas do litoral de Tohoku em busca do corpo de sua esposa, Yuko Tamakatsu, que desapareceu após o tsunami que devastou o nordeste do Japão no dia 11 de março de 2011. O terremoto que originou o tsunami, de magnitude 9.0, é considerado o mais violento já registrado em território japonês e deixou um rastro de mais de 15 mil mortos, entre eles, milhares cujos corpos nunca foram recuperados.
Yuko é uma dessas 2.520 pessoas que o paradeiro não foi descoberto. O esforço do marido viúvo para reencontrá-la, ainda que apenas seus restos, tornou-se uma espécie de símbolo do luto e do verdadeiro dano que a catástrofe causou no Japão, transformando-se até mesmo em um curta-metragem.
O documentário, lançado em 2023, retrata a trajetória do casal e serviu de inspiração para uma composição autoral do pianista francês Sylvain Guinet, em 2014.
O dia da perda e as buscas
De acordo com o curta publicado, no dia do desastre, Yasuo levou a esposa Yuko até a agência bancária em que ela trabalhava, próxima a orla. O terremoto aconteceu pouco tempo depois.
Com o alarme do tsunami, a equipe do banco subiu até o ultimo andar do prédio que, segundo Yasuo, também ficou imerso em água. Yasuo saiu à procura de Yuko assim que a água recuou, e passou de dois a três meses circulando por abrigos improvisados, hospitais e, posteriormente, necrotérios, sem obter qualquer notícia de seu paradeiro.
A busca então migrou para os morros ao redor da cidade e, posteriormente, para o oceano. Dois anos depois da tragédia, Yasuo decidiu se certificar como mergulhador e passou a mergulhar nas águas de Onagawa, refazendo o mesmo trajeto repetidas vezes. Ele busca não só por restos mortais, mas também por qualquer peça de roupa ou pertence pessoal que possa ter sido dela.
No momento em que o curta foi gravado, Yasuo já havia feito 602 mergulhos e a equipe de filmagem o acompanhou durante o 603°. “Enquanto meu corpo permitir, eu continuarei a procura”, afirma Yasuo à filmagem.
Um mês após o desastre, o celular de Yuko foi resgatado dos escombros. Nas filmagens, Yasuo mostra o aparelho, com a última mensagem enviada a ele, contendo as palavras: “Você está bem? Quero ir para casa”.
Neste ano, o homem atingiu a marca de 763 mergulhos atrás de Yuko.
O documentário
O curta-metragem foi produzido pelo cineasta Anderson Wright e conta com o silêncio constante como uma maneira de representar a solidão de Yasuo após a perda de Yuko. Com menos de nove minutos, o documentário apresenta uma história real e sensível ao público.
Através das filmagens, Yasuo afirma que outros lugares do mundo podem se expressar com um “eu te amo”, mas, segundo o homem, os japoneses têm esse sentimento de maneira implícita. “Pelo menos era assim entre nós dois”, conclui o viúvo.
Consequências do tsunami
Dados oficiais da Polícia Nacional do Japão registram um total de 15.894 mortes confirmadas, com 2.519 pessoas ainda dadas como desaparecidas. As ondas de até 40 metros de altura deixaram cerca de 230 mil moradores deslocados de suas casas.