
A família de Isabelle Caracristi, de 22 anos, afirmou que ainda espera respostas sobre a morte da estudante de Direito, encontrada morta após cair do 23º andar de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, no Ceará. A manifestação ocorreu depois de a Polícia Civil divulgar que exames periciais e imagens de câmeras de segurança apontam para uma queda voluntária.
Em nota divulgada pelo UOL na noite de quarta-feira (23), as advogadas Patrícia de Abreu Viana e Adriana Alves disseram que as dúvidas que permanecem no caso “não são meras formalidades, mas feridas abertas que alimentam a dor de quem chora e a indignação de todos nós”.
A família também declarou que continuará cobrando a apuração completa dos fatos. “Cada dia sem respostas claras é uma violência continuada”, afirmaram as defensoras.
A memória de Isabelle Caracristi exige respeito. O combate a todas as formas de violência é urgente. E a sociedade exige JUSTIÇA Nota da família divulgada pelo UOL
O que a perícia apontou sobre a morte de Isabelle
Segundo a Polícia Civil do Ceará, o laudo pericial identificou uma “precipitação voluntária”. O exame aponta que Isabelle caiu em posição vertical e que a queda durou aproximadamente três segundos.
O perito-geral Júlio Torres afirmou que uma câmera de segurança corrobora a dinâmica indicada pela perícia. As imagens mostram a estudante subindo até o rooftop do prédio, onde permaneceu por cerca de uma hora e meia antes da queda.
O laudo cadavérico apontou que Isabelle morreu por politraumatismo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, as lesões encontradas eram "compatíveis com o impacto contra o solo". Já o exame toxicológico teve resultado negativo, sem detecção de drogas ou medicamentos no organismo da estudante antes da morte
Os investigadores afirmam que precisam esclarecer se havia outra pessoa no local, a movimentação no condomínio e o que pode ter levado Isabelle à morte.
Polícia ainda investiga possível participação de terceiros
O delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Gutiérrez, afirmou que as provas disponíveis apontam para suicídio, mas que nenhuma hipótese foi totalmente descartada.
“Temos a informação técnica do nosso órgão de perícia que aponta para realmente o suicídio, para a precipitação voluntária. Mas nada é descartado”, disse.
Entre os pontos analisados estão os horários em que o namorado de Isabelle esteve no apartamento, quando saiu e retornou ao condomínio e onde estava no período próximo à morte.
A polícia também apura se houve tentativa de destruição de provas após o ocorrido. Segundo o delegado, o namorado voltou ao apartamento para procurar o celular da jovem. Testemunhas relataram que o imóvel teria passado por uma limpeza e sido colocado à venda.
Celular de Isabelle teve dados recuperados parcialmente
O celular da estudante ficou danificado com a queda. A perícia conseguiu recuperar, por meio de um backup em nuvem, mensagens enviadas e recebidas até aproximadamente 2h da manhã do dia 13 de setembro.
O conteúdo entre esse horário e 20h40, estimado como o momento da morte, não pôde ser restaurado.
"O que nós podemos falar é que ela passou um bom tempo se comunicando com algumas pessoas ao telefone, mandando mensagens e interagindo com pessoas, mas nós não podemos divulgar isso para não atrapalhar as investigações", explicou Gutiérrez
A Polícia Civil também analisa imagens de câmeras, vestígios de DNA e outros aparelhos eletrônicos para reconstruir os últimos momentos da jovem.
Namorado está preso e é investigado
João Munhoz Neto, de 34 anos, namorado de Isabelle, está preso preventivamente. Ele é investigado por induzimento, instigação ou auxílio a suicídio e violência psicológica.
A defesa do homem afirma que ele não estava no prédio no momento da queda. A advogada também declarou que João estava abalado com o ocorrido e que, por isso, não havia se apresentado inicialmente às autoridades. Ela também revelou que João era casado com outra mulher, mas está em processo de divórcio.
A prisão ocorreu após a polícia considerar, entre outros elementos, o fato de ele não ter procurado as autoridades para prestar esclarecimentos e ter apagado perfis nas redes sociais.
Família questiona relação da estudante
A família de Isabelle também levantou suspeitas sobre a relação dela com João. Segundo informações recuperadas pela investigação, a jovem teria relatado sentir-se ameaçada, pressionada, manipulada e presa.
Um primo contou à polícia que recebeu uma ligação de Isabelle cerca de uma semana antes da morte. Na conversa, ela teria dito que não suportava mais o namorado e reclamado de ciúmes excessivos e restrições ao contato com familiares e colegas de trabalho.
A polícia investiga se esses relatos podem ter relação com a morte da estudante. Até o momento, a conclusão técnica divulgada aponta para queda voluntária, mas a investigação continua para esclarecer as circunstâncias e eventuais responsabilidades.
Procure ajuda
Se você estiver tendo pensamentos suicidas, procure ajuda especializada. O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 188. Também há atendimento por chat, e-mail e presencialmente.
Outra opção é procurar um Caps (Centro de Atenção Psicossocial) na sua cidade. Há ainda o Pode Falar, canal criado pelo Unicef para jovens de 13 a 24 anos, com atendimento anônimo e gratuito.
Denúncias contra violência também podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.