O deputado federal Mario Frias (PL)
Roberto Castro/ Mtur
O deputado federal Mario Frias (PL)

As transferências diretas de R$ 645,4 mil realizadas pelo Mario Frias (PL) para a GoUp Entertainment, produtora do filme "Dark Horse", são "incompatíveis" com a renda do parlamentar. A alegação é da Polícia Federal (PF) que deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações de suspeitas de desvio de recursos públicos, incluindo emendas parlamentares, que teriam sido direcionados para financiamento do filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em S ão Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, tendo como principais alvos de busca e apreensão o deputado federal e a empresária Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (IBC) e produtora do filme por meio da Go Up Entertainment.

As investigações da PF revelaram que o valor das transferências feitas por Mário Frias não é compatível com os "créditos identificados" nas suas contas bancárias.

Segundo a PF, os rendimentos mensais do parlamentar, de R$ 44.008,52, seriam incompatíveis com o volume de recursos transferidos à empresa de Karina Gama em um período inferior a 60 dias, segundo a PF.

Essa circunstância faz com que ele transcenda a condição de mero autor de emendas parlamentares posteriormente desviadas por terceiros, e coloca o parlamentar como participante ativo da engrenagem financeira sob investigação Polícia Federal


Para os investigadores, o parlamentar é um "agente central" no esquema investigado. A investigação aponta ainda que "há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas".

Também revela uma "coincidência temporal" entre as gravações do filme e o envio de emendas. Produtor executivo de "Dark Horse", Mario Frias enviou uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão para o ICB, destinado à execução de um programa de empreendedorismo no interior de São Paulo. Mas o programa não teria saído do papel.

Medidas cautelares

As informações levaram o ministro Flávio Dino a autorizar a operação que  mirou Mário Frias, retirar o sigilo do processo e impor medidas cautelares que impedem o deputado e a empresária Karina Ferreira da Gama de deixar o país e de manter contato entre si.


Dino argumentou que “elementos colhidos apontam risco concreto de alinhamento de versões, combinação de depoimentos, ocultação ou destruição de provas e interferência na colheita dos elementos probatórios ainda pendentes de arrecadação".

Decisão que impôs as medidas cautelares é de 3 de setembro e teve o sigilo derrubado nesta quinta.


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