Máira Rocha
Reprodução/redes sociais
Máira Rocha

Famílias que procuraram a médium Máira Rocha em busca de mensagens de parentes mortos a acusam de usar informações disponíveis na internet para produzir cartas apresentadas como psicografadas. Denúncias relacionadas à atuação dela já chegaram à Polícia Civil e ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Os relatos foram reunidos em uma investigação de mais de dois meses exibida pelo Fantástico no domingo (06). Segundo as famílias ouvidas, partes das mensagens coincidiam com publicações em redes sociais, reportagens, obituários e outros registros disponíveis publicamente.

Um dos casos é o de Marcela Magalhães, que perdeu o filho Henrique, de 18 anos, em um acidente de carro. Durante uma transmissão, Máira apresentou o jovem como jogador de futebol. A mãe afirma que o filho nunca foi jogador profissional. Depois, a família encontrou uma reportagem antiga que mostrava Henrique com uniforme esportivo e cometia o mesmo erro.

Marina Escames procurou a médium após a morte do marido, Thiago, vítima de leucemia. Ela contou que uma das mensagens trouxe uma expressão que inicialmente reconheceu como característica dele. Mais tarde, encontrou a mesma frase em uma antiga publicação do marido nas redes sociais.

As famílias também questionam as informações solicitadas antes dos encontros. Marina afirmou que precisava fornecer nome completo e CPF dela e do acompanhante cerca de 60 dias antes da sessão. Segundo outro relato, também eram pedidos comprovantes de hotel ou passagem aérea.

Marina disse ainda que, antes de uma psicografia, Máira perguntou o nome completo do marido, a causa da morte e recebeu uma fotografia dele. Para pesquisadores ouvidos pelo Fantástico, esse conjunto de informações pode facilitar buscas sobre a pessoa e seus parentes em fontes abertas.

Polícia e Ministério Público apuram denúncias

Segundo o Fantástico, há registros policiais envolvendo Máira em pelo menos cinco estados, com acusações de estelionato, calúnia, difamação e ameaça. Isso não significa que ela tenha sido condenada por esses crimes.

O MPDFT instaurou uma notícia de fato após receber denúncias sobre a atuação da médium. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) também mantém investigação envolvendo fatos ocorridos em 2019, segundo informações divulgadas pelo Metrópoles.

Máira é fundadora da Casa da Caridade Inácio Daniel, em Águas Claras. O próprio site da instituição informa que ela coordena atividades ligadas às chamadas cartas consoladoras e mantém trabalhos sociais financiados por doações.

Procurada pelo Fantástico por mais de duas semanas, Máira não aceitou gravar entrevista sobre as acusações. Em transmissões públicas, ela rebateu questionamentos e afirmou que poderia recorrer à Justiça contra pessoas que a acusassem.

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