Ministro do STF Alexandre de Moraes e ex-banqueiro Daniel Vorcaro .
Marcelo Camargo/Agência Brasil - Reprodução/Instagram
Ministro do STF Alexandre de Moraes e ex-banqueiro Daniel Vorcaro .

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou cinco mensagens por WhatsApp, em modo de visualização única, a um contato registrado em seu celular como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, em 17 de novembro de 2025, na véspera de ser preso pela Polícia Federal. As comunicações, recuperadas na análise do aparelho do banqueiro, tratavam de negociações com investidores, possível vazamento de informações e de uma tentativa de obter notícias ou “bloquear” algo relacionado ao caso.

As cinco mensagens constam de relatório da Polícia Federal (PF) revelado nesta terça-feira (1º) pelo jornal O Estado de S. Paulo. O documento foi produzido a partir da análise do celular apreendido com Vorcaro e integra as investigações que chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O material está relacionado à PET 16.662/DF, sob relatoria do ministro André Mendonça. No despacho que determinou o levantamento do sigilo dos autos, Mendonça registra que a Polícia Federal realizou análises técnicas no aparelho de Vorcaro e identificou diálogos que, segundo a autoridade policial, indicariam uma possível rede de monitoramento e influência.

A PF apontou ainda que o empresário teria obtido previamente informações sobre investigações criminais e apurações em andamento no Banco Central.

As cinco mensagens foram enviadas entre 7h19 e 20h48 de 17 de novembro. Na primeira, Vorcaro afirmou que tentava antecipar a assinatura de investidores e que pretendia viajar para buscar a adesão de investidores estrangeiros. O banqueiro também demonstrou preocupação com o possível vazamento de um assunto que havia tratado anteriormente com o interlocutor.

“Se vazar algo sera pessimo mas pode ser um gancho pra entrar no circuito do processo”, escreveu Vorcaro. Ao final, acrescentou: “Se tiver alguma novidade vamos falar”.

Cerca de dez horas depois, às 17h22, o banqueiro enviou uma segunda mensagem: “Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”.

Quatro minutos depois, às 17h26, Vorcaro voltou a escrever: “Alguma novidade? Conseguiu ter noticia ou bloquear?”.

Às 20h04, o empresário fez novo questionamento ao interlocutor: “Alguma novidade?”.

A quinta e última mensagem daquele dia foi enviada às 20h48. Vorcaro afirmou que uma operação havia sido concluída e que seria melhor que isso tivesse ocorrido na sexta-feira, juntamente com investidores estrangeiros.

“Foi. Seria melhor na sexta junto com os gringos mas foi o que deu pra fazer dentro da situação. Acho que pode inibir”, escreveu. Na sequência, afirmou: “Amanha começam as batidas do esteves” e disse que estava indo assinar com investidores estrangeiros.

Como as mensagens foram recuperadas

Segundo o relatório da PF revelado pelo Estadão, as cinco comunicações foram enviadas como imagens de visualização única, recurso do WhatsApp que faz com que o arquivo deixe de ficar disponível na conversa depois de aberto pelo destinatário.

Os investigadores conseguiram reconstruir os envios a partir dos dados armazenados no celular. Foram comparados os horários em que Vorcaro abriu o aplicativo Notas, realizou capturas de tela, acessou o WhatsApp e encaminhou os arquivos.

A análise apontou que cada captura feita no aplicativo Notas gerou automaticamente um arquivo temporário em PDF com o mesmo conteúdo exibido no aparelho. Os registros dos cinco envios e as imagens relacionadas à conversa também foram recuperados durante a extração dos dados.

Além das cinco notas encontradas diretamente no WhatsApp, a PF identificou outros 47 arquivos que apresentavam o mesmo padrão. Ao todo, o relatório reúne 52 notas organizadas cronologicamente.

O despacho de Mendonça registra que a PF encontrou diálogos no aparelho que indicariam que Vorcaro tinha conhecimento antecipado de investigações que poderiam prejudicá-lo. Segundo a autoridade policial, os elementos também apontariam para a obtenção de informações sobre hipóteses investigativas e para tentativas de intervenção junto a autoridades públicas envolvidas nos processos decisórios.

Mendonça determina retirada do sigilo

Os elementos apresentados pela Polícia Federal levaram Mendonça a determinar que o material fosse separado dos autos em que estava originalmente inserido e transferido para uma petição autônoma, dando origem à PET 16.662/DF. O ministro também abriu vista à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação.

No despacho, Mendonça afirmou que os novos elementos deverão ser analisados pelo Plenário do STF e determinou que a futura deliberação ocorra de forma “pública e transparente”, em sessão presencial, em data a ser definida pelo presidente da Corte.

Nesta terça-feira (1º), o ministro determinou o levantamento do sigilo da PET 16.662/DF, tornando públicos os autos que reúnem os novos elementos apresentados pela Polícia Federal.

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