
Operação da Polícia Federal (PF) sob pessoas investigadas e ligadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, vazou antes de efetivamente acontecer, em novembro de 2025. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) revelou em decisão judicial que envolve um dos alvos no processo, que a informação sobre a ação policial circulou antecipadamente entre os envolvidos.
O STJ menciona no documento Carla Ariane, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o empresário Kalil Bittar, sinalizado como sócio de Lulinha. A quebra dos sigilos das medidas de busca e apreensão aconteceu antes de deflagrada de forma oficial, a primeira fase da investigação pública conduzida pela PF.
Vazamento
Segundo dados do inquérito, em vias de acontecer a ação policial, o ex-secretário de Educação de Sumaré (SP), José Aparecido Marin, trocou várias mensagens com o empresário acusado de ser o principal operador do esquema (Kalil). A conversa acabou em pedidos para apagar conteúdos delicados dos celulares dos investigados.
Além disso, o ex-secretário alvo da operação que seria deflagrada pouco tempo depois, não foi encontrado em seu endereço no dia da execução do mandado de prisão preventiva. A defesa de Marin ainda não se manifestou sobre o assunto.
Tais fatos são robustecidos pela circunstância de que MARIN não foi localizado nos endereços previamente identificados, com indícios de abandono e retirada às pressas de pertences, tendo permanecido foragido até a concessão da ordem para a expedição de contramandado de prisão. Decisão STJ
Entenda o caso: A Operação Coffee Break
A Operação Coffee Break da Polícia Federal apura um susposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. As investigações miram em repasses financeiros incomuns e contratos milionários que envolvem empresários e agentes públicos.
O ex-secretário Marin é apontado por operar uma suposta organização criminosa que pagava propina a agentes públicos. O esquema teria tido apoio de Carla Ariane e Kalil Bittar que exerciam provável influência no governo federal a fim de garantir repasses de dinheiro aos municípios envolvidos.
Em contrapartida, Kalil teria recebido R$ 210 mil por mês e um carro de luxo, uma BMW 540. Ele e Ariane foram alvos de busca e apreensão na primeira fase da operação, em novembro de 2025. Por se tratar de nomes ligados ao presidente, um novo inquérito foi aberto na PF. Todos os processos sobre o caso tramitam sob sigilo.
Sócio de Lulinha
O nome do empresário Kalil Bittar ganhou projeção após mensagens trocadas entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger. Esse caso está sendo investigado pela Polícia Federal que apura suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde.

Na comunicação do trio, o filho mais velho do presidente Lula se queixa a amiga Roberta de que Bittar estaria tentando fechar um contrato com a Telebras sem sua autorização. Na ocasião, a estatal era chefiada por Frederico Siqueira, atual ministro das Comunicações.
Sobre esse caso, a defesa de Bittar informou que ele não é alvo de investigações e que ele não está envolvido com quaisquer negociação com o ministério. Além disso, ressaltam que no âmbito da Operação Coffee Break, não fez nenhum tipo de lobby no governo federal e destacam que desconhecem qualquer tipo de apuração sobre esse assunto.