Pedágio free flow poderá ser pago pelo app da CNH; veja como

Motoristas terão consulta centralizada de passagens e débitos em rodovias de diferentes concessões, reduzindo a necessidade de acessar vários sistemas

Pedágio Free Flow
Foto: Foto: EPR Sul de Minas/Divulgação
Pedágio Free Flow

Motoristas que utilizam rodovias com pedágio free flow  poderão, em breve, consultar as passagens registradas e pagar as tarifas pelo aplicativo CNH do Brasil . A novidade foi anunciada pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e deve reunir, em um único ambiente, informações de sistemas instalados em rodovias federais, estaduais e municipais.

A proposta é facilitar principalmente a vida de quem percorre diferentes estradas durante uma viagem ou utiliza o veículo com frequência. Atualmente, quem passa por um pórtico sem ter uma tag precisa descobrir qual concessionária administra o trecho e acessar o canal específico para consultar e quitar a cobrança.

Segundo a Senatran, a solução tecnológica já está pronta e deve ser disponibilizada em breve. As concessionárias que operam os sistemas já foram integradas e homologadas pelo órgão.

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Como funciona o free flow

Diferentemente do pedágio tradicional, o free flow não utiliza praça física nem cancela. O veículo passa normalmente pela rodovia e é identificado por uma tag instalada no para-brisa ou pela leitura da placa por câmeras.

Depois da passagem, a tarifa é registrada e precisa ser paga. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) explica que o modelo foi criado para aumentar a fluidez do trânsito, reduzir paradas e modernizar a cobrança nas rodovias concedidas.

Para quem possui tag, a cobrança costuma ser automática. Já quem não tem o dispositivo precisa consultar os registros e realizar o pagamento posteriormente.

É justamente essa segunda situação que a nova integração pretende simplificar.

Fim da busca por vários aplicativos

Hoje, um motorista que percorre diferentes concessões pode precisar consultar sites ou aplicativos distintos para descobrir se tem alguma tarifa pendente.

Em São Paulo, por exemplo, existem diferentes sistemas de cobrança, embora o Estado já conte com o Siga Fácil como plataforma para centralizar pagamentos de diversos trechos. Em julho, o estado tinha 15 pontos de free flow ativos em rodovias estaduais.

Com a integração anunciada pela Senatran, a ideia é ampliar essa centralização para diferentes concessões e níveis de governo.

Na prática, o motorista poderá abrir o aplicativo CNH do Brasil, verificar as passagens registradas e consultar os valores que ainda precisam ser pagos, sem precisar procurar individualmente cada operadora.

Sistema está crescendo no país

A expansão do free flow tem sido rápida no Brasil. Segundo dados apresentados pela Senatran, o volume de transações processadas pelo sistema aumentou 174% entre 2024 e 2026.

Atualmente, são 74 pórticos em operação, distribuídos por 15 concessionárias, segundo os números apresentados pelo órgão.

A própria Senatran vem homologando novos sistemas. Somente em agosto, foram publicados atos envolvendo concessionárias como Novo Litoral de São Paulo, Rota dos Tamoios, Ecovias dos Imigrantes, EPR Sul de Minas, Rodoanel Norte e outras.

E se o motorista não pagar?

A cobrança continua obrigatória mesmo com as mudanças no sistema. A suspensão temporária anunciada pela ANTT diz respeito às multas por não pagamento, e não à tarifa do pedágio.

Ou seja: passar pelo pórtico continua gerando uma cobrança que precisa ser quitada. A ANTT orienta que os usuários utilizem os canais oficiais das concessionárias para consultar e pagar os valores.

Por isso, a recomendação é que o motorista não ignore uma passagem registrada, mesmo que não tenha percebido o pórtico durante a viagem.

Mais dados para o trânsito

A centralização também deve ter outra função além de facilitar o pagamento.

De acordo com a Senatran, os dados reunidos a partir das passagens poderão ajudar o Sistema Nacional de Trânsito a entender melhor o deslocamento dos veículos e subsidiar decisões relacionadas à infraestrutura rodoviária.

A expectativa é que o modelo também contribua para a segurança. Como não há necessidade de parar ou reduzir bruscamente a velocidade em uma praça de pedágio, o sistema elimina pontos de frenagem e formação de filas comuns nas estruturas convencionais.