
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo (09) que não aceita o novo plano de 15 pontos apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra em Gaza. A divergência está principalmente na ordem das medidas previstas para desarmar o Hamas e retirar as tropas israelenses do território.
“Israel não aceita o documento de 15 pontos”, disse Netanyahu durante uma reunião transmitida com integrantes do governo, segundo a Reuters. O premiê afirmou que as forças israelenses não deixarão suas posições antes que o Hamas entregue todo o armamento.
A declaração aumenta a pressão sobre uma negociação que havia avançado nas últimas semanas. Trump anunciou em julho que Israel e Hamas haviam concordado com um roteiro para encerrar o conflito. Pelo desenho apresentado, as tropas israelenss deixariam Gaza à medida que o grupo palestino fosse desarmado. Uma força internacional e uma nova polícia palestina assumiriam parte da segurança do território.
O problema agora é estabelecer quem deve cumprir sua parte primeiro.
Israel exige o desarmamento antes de qualquer retirada. O Hamas sustenta que a aplicação do acordo depende também do cumprimento prévio de compromissos israelenses, entre eles a saída das tropas e a interrupção dos ataques.
Hamas diz que continua comprometido com acordo
Basem Naim, dirigente do Hamas, disse à Reuters neste domingo que o grupo continua comprometido com o roteiro acertado no Cairo dez dias antes. Ele cobrou dos mediadores e dos Estados Unidos pressão sobre o governo israelense para que o processo avance.
O Hamas evita usar o termo “desarmamento”. Segundo o grupo, o acerto prevê que as armas sejam entregues e mantidas sob uma administração palestina de tecnocratas apoiada pelos Estados Unidos.
Nikolay Mladenov, enviado para Gaza do Conselho de Paz criado por Trump, afirmou que as discussões sobre o novo roteiro continuam. Em entrevista à emissora israelense N12, ele disse que a retirada de Israel ocorreria por setores depois que as armas do Hamas fossem entregues e inutilizadas.
Israel reduziu ataques após pressão dos EUA
As forças israelenses reduziram as operações em Gaza desde segunda-feira (03), quando Mladenov se reuniu com Netanyahu. Uma fonte ouvida pela Reuters afirmou que Israel concordou em limitar ações militares a situações consideradas de ameaça imediata e suspender ataques direcionados que vinham ocorrendo com frequência.
A discussão ocorre também em meio à campanha eleitoral israelense. Netanyahu tenta conquistar um novo mandato na eleição marcada para 27 de outubro e enfrenta pressão de ministros da extrema direita contrários a concessões em Gaza. Ao mesmo tempo, Trump, principal aliado externo do governo israelense, pressiona pelo avanço das negociações.
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, apoiou a posição de Netanyahu e defendeu que as forças israelenses não deixem Gaza antes da destruição da capacidade militar do Hamas.