Ilustração mostra o LINK em órbita ao redor da Terra
Reprodução/Katalyst Space
Ilustração mostra o LINK em órbita ao redor da Terra

A nave robótica LINK, enviada ao espaço para elevar a órbita do observatório Swift, conseguiu reduzir  a rotação após apresentar falhas no sistema de controle. A velocidade caiu de cerca de 9 para menos de 4 graus por segundo, informou a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) na sexta-feira (31).

O problema atrasou a aproximação entre as duas estruturas. O encontro, previsto inicialmente para ocorrer antes, agora deve começar perto do fim de agosto. Antes disso, a Katalyst Space precisa estabilizar completamente o LINK e confirmar que a captura pode ser feita sem colocar o Swift em risco.

A NASA afirmou que ainda existem caminhos possíveis para concluir a missão. A agência e a empresa estudam mudanças no plano de voo, nos comandos de controle e na forma como a nave usará os equipamentos que continuam funcionando.

Não há garantia de captura. A tentativa dependerá das condições do LINK após o fim dos trabalhos de recuperação.

Falha atrasou encontro com o Swift

Os problemas surgiram durante os testes feitos depois do lançamento. O LINK perdeu parte do controle de posição, entrou em rotação em mais de um eixo e passou a manter comunicação irregular com a equipe em Terra.

Engenheiros preparam o LINK para testes de vibração
Reprodução/NASA/Scott Wiessinger
Engenheiros preparam o LINK para testes de vibração

Uma análise preliminar apontou que duas das três rodas de reação deixaram de funcionar. Esses equipamentos ajudam a controlar a orientação de satélites sem a necessidade de gastar combustível. Parte do sistema de pequenos propulsores a gás frio também perdeu capacidade.

Mesmo com as falhas, os principais sistemas da nave permanecem ativos. O LINK continua gerando energia, transmitindo dados e recebendo comandos. Os equipamentos de propulsão elétrica, sensores de aproximação e braços robóticos também funcionam, segundo a Katalyst.

Para reduzir o giro, os engenheiros acionaram um propulsor elétrico instalado sobre uma estrutura móvel. Novas queimas devem ser feitas nos próximos dias.

A empresa também prepara um sistema de controle adaptado à configuração atual da nave. Os técnicos terão de redistribuir comandos entre os equipamentos disponíveis, recalibrar programas e testar as alterações em simulações antes de enviá-las ao espaço.

Com o LINK estabilizado, a equipe pretende colocar a nave em uma órbita próxima à do Swift. Depois virão a inspeção do observatório, os testes de aproximação e, caso as condições permitam, a tentativa de captura.

Corrida para manter observatório em órbita

Lançado em novembro de 2004, o Swift acompanha explosões de raios gama e outros fenômenos rápidos e imprevisíveis do Universo. os três instrumentos observam o céu em raios gama, raios X, luz ultravioleta e luz visível.

Nave LINK antes de ser instalada no foguete Pegasus XL
Reprodução/NASA/Ron Beard
Nave LINK antes de ser instalada no foguete Pegasus XL

A órbita do observatório começou a cair mais depressa após o aumento da atividade do Sol. O aquecimento das camadas superiores da atmosfera da Terra ampliou o arrasto sobre satélites em órbita baixa, acelerando a perda de altitude do Swift.

Sem uma elevação, o observatório pode reentrar na atmosfera ainda em 2026. Em fevereiro, a NASA suspendeu temporariamente a maior parte das observações científicas e manteve o satélite em uma posição que oferece menor resistência ao ar.

O LINK foi lançado no dia 3 de julho a partir do Atol de Kwajalein, nas Ilhas Marshall, a bordo de um foguete Pegasus XL. A nave, com cerca de 400 kg, possui três braços robóticos projetados para se prender ao Swift, que não foi construído para receber reparos ou manutenção no espaço.

Se a captura der certo, o LINK usará seus propulsores para elevar lentamente a altitude do observatório ao longo de vários meses. A operação seria a primeira em que uma nave robótica comercial captura um satélite da NASA sem tripulação e sem estruturas próprias para manutenção orbital.

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes