
A BR-040 , uma das rodovias mais importantes do Brasil, que liga Brasília ao Rio de Janeiro passando por Goiás e Minas Gerais, tem registrado um aumento preocupante no número de acidentes nos últimos anos. Segundo dados oficiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o total de sinistros na via saltou de 3.123 em 2022 para 3.502 em 2025.
Já entre 2024 e 2025 registrou um aumento de 4,29% no número total de sinistros, saltando de 3.358 para 3.502 ocorrências anuais.
Até o dia 12 de julho de 2026, o balanço parcial já aponta 1.826 acidentes, com 112 mortes e mais de 2.150 feridos em toda a sua extensão. O percurso da rodovia corta pontos críticos em Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro, mas a situação em solo mineiro é a que mais preocupa as autoridades.
Minas Gerais: o epicentro dos acidentes
O trecho da BR-040 em Minas Gerais é o mais extenso da rodovia — embora as imagens fornecidas pela PRF não especifiquem a quilometragem total exata no estado, informações externas ao material indicam que a via percorre cerca de 828 km em território mineiro.
A gravidade dos números em Minas é nítida: o estado registrou um crescimento de 10,17% no número de acidentes entre 2024 (1.790 casos) e 2025 (1.972 casos). Em 2025, Minas Gerais sozinha concentrou 56% de todos os sinistros ocorridos em toda a BR-040. Apenas no primeiro semestre de 2026, o estado já contabilizou 984 acidentes e 78 óbitos.
Ranking: os 5 trechos mais perigosos da rodovia
Considerando os dados consolidados de 2024 e 2025, os trechos em áreas urbanas lideram o ranking de perigo. Confira os pontos com mais registros:
- Duque de Caxias (RJ) - km 117 ao 124: O ponto mais crítico do país nos últimos dois anos, com 228 sinistros em 2025.
- Contagem (MG) - km 508 ao 533: O trecho mais perigoso de Minas Gerais, mantendo a segunda posição nacional de forma recorrente.
- Ribeirão das Neves (MG) - km 508 ao 533: Localizado na mesma região de Contagem, apresenta alto índice de colisões.
- Valparaíso de Goiás (GO) - km 0 ao 24: Trecho de grande fluxo no entorno de Brasília, com 135 acidentes em 2025.
- Nova Lima (MG) - km 544 ao 564: Ponto montanhoso com alto volume de ocorrências, fechando o top 5 nacional em 2025.
Falha humana é a causa de 1 em cada 3 acidentes
Os relatórios detalham que o comportamento do condutor é o fator principal das tragédias. Entenda os termos técnicos:
- Reação tardia ou ineficiente: Principal causa nacional, ligada à distração. O motorista vê o perigo, mas demora a agir, resultando em colisões traseiras, o tipo de acidente mais comum na via.
- Ausência de reação: Segunda maior causa, ocorrendo quando não há manobra defensiva (sinal de sono ao volante ou mal súbito). Foi a causa número 1 em Minas Gerais em 2025.
- Velocidade incompatível: Responsável por tombamentos e saídas de pista, especialmente frequentes nas curvas de Minas Gerais.
A PRF alerta que, diante do crescimento dos números, a prudência deve ser redobrada, especialmente nos trechos de descida e áreas metropolitanas, onde a combinação de alta velocidade e tráfego intenso tem se provado letal.
O que dizem as concessionárias e o DNIT
Após a divulgação dos dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), as concessionárias responsáveis por diferentes trechos da BR-040 e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) afirmaram ao iG que vêm realizando obras, ações de fiscalização, melhorias na infraestrutura e campanhas educativas para reduzir os acidentes ao longo da rodovia.
A EPR Via Mineira, responsável pelo trecho entre Belo Horizonte e Juiz de Fora, destacou que o segmento entre os quilômetros 544 e 564, em Nova Lima (MG), apontado pela PRF entre os mais críticos da rodovia, é também o de maior movimento sob sua administração, com cerca de 65 mil veículos por dia. Segundo a concessionária, o local é totalmente duplicado e possui barreiras de concreto, defensas metálicas e canteiro central, e a maior parte das ocorrências resulta apenas em danos materiais.
A empresa informou ainda que, desde o início da concessão, em agosto de 2024, promoveu a revitalização do pavimento, da sinalização e implantou tachas refletivas para reforçar a segurança. Entre os quilômetros 547 e 552, há oito radares de velocidade. Somente em julho deste ano foram registradas 11.361 infrações por excesso de velocidade, em um trecho onde o limite é de 100 km/h para veículos leves e 80 km/h para pesados.
Já a Via Cristais, que administra a BR-040 entre Belo Horizonte (MG) e Cristalina (GO), afirmou que a região entre os quilômetros 508 e 533, que engloba Contagem e Ribeirão das Neves — dois dos trechos com maior número de acidentes segundo a PRF — recebe intervenções específicas por causa do intenso fluxo de veículos da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A concessionária informou que já recuperou mais de 1.000 quilômetros de pavimento, implantou 9.200 placas de sinalização, refez mais de 3.000 quilômetros lineares de pintura de faixas, assumiu a manutenção da iluminação pública em Contagem e Ribeirão das Neves e instalou defensas metálicas e cercas em pontos considerados críticos. Também anunciou que, em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), pretende construir ainda neste ano uma nova passarela no km 528, em Contagem.
Responsável pelo trecho entre Juiz de Fora (MG) e o Rio de Janeiro, que engloba o trecho com mais acidentes em Duque de Caxias (RJ), a Elovias informou que, desde que assumiu a concessão, em novembro de 2025, vem executando melhorias voltadas ao aumento da segurança e do conforto dos usuários. Segundo a empresa, equipes de atendimento permanecem de prontidão durante 24 horas em toda a extensão sob sua responsabilidade, enquanto seguem as obras de recuperação da Serra de Petrópolis.
No trecho entre Luziânia (GO) e Brasília, onde fica Valparaíso de Goiás (GO), o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) afirmou que, desde que retomou a administração da rodovia, em agosto de 2024, executa serviços permanentes de manutenção preventiva e corretiva. O órgão também informou que está realizando as obras do Complexo Viário de Valparaíso de Goiás e desenvolvendo projetos para implantação de seis novas passarelas entre Valparaíso e Luziânia.
Segundo o DNIT, dados do Sistema Integrado de Operações Rodoviárias (SIOR) apontam redução no número de sinistros a partir de 2025. Conforme a PRF, houve uma queda de 183 para 135 ocorrências entre 2024 e 2025, o que representa uma redução de aproximadamente 26% no número de acidentes nesse trecho específico.
No entanto, a autarquia ressaltou que a segurança depende também do comportamento dos motoristas, o que reforça a importância do respeito aos limites de velocidade, à sinalização e às normas de trânsito.