
A cuia no chão. Uma roupa manchada de verde. A água corre pelo pano de mesa, cai na cadeira e chega até o azulejo. O “cusco”(cachorro) da família com o focinho esverdeado. Em seguida, a correria para secar o notebook de trabalho, que ficou cheio de sujeira no teclado.
Com objetivo de transformar a situação inesperada em um momento mais leve e engraçado, a página @matesderrubados aproveita que chimarrão é pedaço da cultura compartilhada pela Região Sul e os países vizinhos e registra todos tipos inusitados de acidentes que “colorem” a rotina dos gaúchos.O perfil viralizou recentemente e já chega aos 60 mil seguidores e 458 postagens. Os envios diários tem sido tantos que boa parte fica só no stories. Inicialmente, eram feitos por gaúchos, mas agora já alcançaram os vizinhos argentinos e uruguaios.O compilado de acidentes recebe até imagens de câmeras de segurança do trabalho dos “desastrados”, além das fotos das “vítimas” do chimarrão que foi derramado.Algumas postagens se tornaram palco para discussões da comunidade amante do chimarrão. As conversas tratam sobre melhores ervas-mate, cuias, formas de evitar ou limpar os "acidentes", etc.
Tradição do chimarrão tem origem indígena
O chimarrão é uma bebida feita com erva-mate, que possuí cafeína e é tomada bastante quente. Ela é montada em uma cuia, de madeira ou porongo, e tomada com uma bomba (espécie de canudo, de metal).
A tradição é uma herança indígena compartilhada entre gaúchos, argentinos e uruguaios e funciona de forma similar a um chá.
Há mais de uma forma de montar o chimarrão, mas geralmente a erva-mate é posicionada de forma que ocupe metade do recipiente, onde a água vai “inchar” a erva, para depois ir sendo tomada sem entupir a bomba.