Fenômeno ocorreu também em 2022, mas cobriu maior extensão da praia
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Fenômeno ocorreu também em 2022, mas cobriu maior extensão da praia

Os Molhes da Barra, na Praia do Cassino, em Rio Grande (RS), chamaram a atenção de visitantes durante o último final de semana por conta de um fenômeno geralmente pouco conhecido. Centenas de organismos marinhos se espalharam pela faixa de areia.

Os “bichinhos” até lembram algas  mas, segundo pesquisadores da Universidade Federal de Rio Grande (FURG), são animais, provavelmente, briozoários da espécie Membraniporopsis tubigera. A identificação e confirmação do que se trata ainda será feita em laboratório.

Segundo o professor Renato Mitsuo Nagata, do Instituto de Oceanografia da FURG, os animais tem origem no fundo do mar, onde vivem fixados, e são coloniais. O professor esclareceu ao iG que o fenômeno já aconteceu outras vezes e que, desta vez, foi bem mais pontual.

É uma espécie que ela ocorre, eventualmente, aqui na praia do Cassino, não é todo ano que nós temos visto, eu tenho alguns registros, o último foi em 2022 e, na época, foi um encalho massivo, onde grande parte da praia, desde os molhes até praticamente aqui no riacho do gelo, que ficou com bastante material depositado e por bastante tempo   Renato Mitsuo Nagata, professor do Instituto de Oceanografia da FURG

Renato conta que trechos da praia chegaram a ser interditados e que a mancha enorme dos bichos chegava a atolar carros. Contudo, a espécie não é danosa nem às pessoas, nem ao ecossistema local.


O material foi coletado na terça-feira (14) e será levado ao laboratório para início de análise genética nesta tarde (15) para uma identificação genética por meio do DNA. O objetivo é confirmar se é a mesma espécie avistada nos outros anos.

O pesquisador aponta que, pelas fotos, aparenta se tratar do mesmo espécime, e acrescenta que o fenômeno geralmente ocorre após frentes frias ou ciclones.

Os eventos naturais ajudam por conta da entrada de fortes ondulações na praia, trazendo os animais, que geralmente ficam no fundo do mar, sobre pedras, flutuando na água ou até sobre a areia.

Apesar de serem animais, os briozoários de Rio Grande lembram algas
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Apesar de serem animais, os briozoários de Rio Grande lembram algas



O que se sabe

O oceanógrafo explica que a espécie, caso confirmada, é exótica. Ou seja, vem de fora da fauna brasileira. Nagata observa que a Membraniporopsis tubigera pode estar se proliferando. Isso porque registros recentes aconteceram em outras regiões do Brasil, como em Santa Catarina, onde grandes encalhos também foram vistos, até com maior frequência do que no Rio Grande do Sul.

Essas grandes concentrações de briozoários são chamadas de blooms e, apesar de não causarem nenhum dano às pessoas ou ao local, podem atrapalhar a pesca (o que nunca foi relatado no RS) e causarem pequenos transtornos para o “uso” da praia.

Não tem evidência de que essa espécie causa algum mal, algum desequilíbrio ao nosso ambiente, do ponto de vista do funcionamento do ambiente, do ecossistema  Renato Mitsuo Nagata, professor do Instituto de Oceanografia da FURG


Em 2022, o fenômeno foi observado após um ciclone intenso, causando um grande encalhe na Praia do Cassino.

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