Tatiana Alves Torres
Reprodução/ TJMG / Riva Moreira
Tatiana Alves Torres

A Polícia Federal (PF) está reavaliando a posse da delegada Tatiana Alves Torres como oficial de ligação com o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), em Miami. Segundo informações da CNN, a ação é repensada por uma crise causada após a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. 

De acordo com o veículo, a posse anunciada no Diário Oficial da União em 20 de março, agora, não tem data prevista para ocorrer.

A delegada irá exercer a função por dois anos, se empossada, em missão transitória, o que inclui mudança de sede e acompanhamento de dependentes.  

Quem é Tatiana Alves Torres

Tatiana Alves Torres é formada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e possui pós-graduação em CIências Penais e Segurança Pública. Desde 2002, ela ocupa o cargo de delegada da Polícia Federal. 

A oficial atuou, ao longo da carreira, em áreas como crimes ambientais, financeiros, crime organizado e imigração. Atualmente, ocupa o cargo de delegada de classe especial e exerce a função de coordenadora-geral de Gestão de Processos da PF. 

Ao assumir o novo cargo, Fabiana irá substituir o delegado federal Marcelo Ivo Carvalho. 

Convidado a se retirar

convite a se retirar dos Estados Unidos enviado ao delegado federal Marcelo Ivo Carvalho, que é o antecessor ao cargo que seria ocupado por Tatiana, é apontado como o principal motivo para a decisão. O cargo era ocupado por ele desde maio de 2023.

Conforme informações iniciais, a alegação é que o oficial tenha agido de forma irregular no caso Ramagem, condenado por 16 anos de prisão por golpe de Estado. 

A função de Marcelo era voltada à cooperação internacional na área de segurança. Ele atuava em frentes de imigração e combate ao terrorismo dentro do Departamento de Segurança Interna  estadunidense.

A permanência do oficial em Miami inicialmente era de 2 anos, mas em 2025, a função foi prorrogada por mais um ano, até agosto de 2026.

No Brasil, o delegado da Polícia Federal atuava na posição há mais de 20 anos. 

Durante a carreira, foi superintendente da PF na Paraíba, delegado regional da Investigação e Combate ao Crime Organizado em São Paulo e chefe da Delegacia do Aeroporto Internacional de Guarulhos.


Caso Ramagem como ponto central

O ex-deputado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, está nos Estados Unidos e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão na ação sobre tentativa de golpe, pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.

Ramagem aparece sob custódia do ICE em registro oficial de Orange County, na Flórida
Reprodução/Orange County
Ramagem aparece sob custódia do ICE em registro oficial de Orange County, na Flórida

Ramagem foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), que é a polícia de imigração norte-americana, mas foi solto dois dias depois.

A PF alega que a prisão ocorreu dentro de uma cooperação internacional entre autoridades brasileiras e americanas, mas os EUA discordam.

No comunicado, o Departamento de Estado acusou Marcelo de tentar manipular o sistema migratório, contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território americano. Por este motivo, o país interrompeu a função do delegado antes do previsto e o expulsou dos EUA.

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