População é evacuada por risco de desabamento
Ana Julia Bellini/iG
População é evacuada por risco de desabamento

O Corpo de Bombeiros  evacua neste momento moradores de uma rua para evitar mais mortes após um novo deslizamento no Bairro  Parque Burnier, em Juiz de Fora. Enquanto a equipe de reportagem do iG aguardava uma entrevista coletiva, parte de uma rua nas proximidades cedeu. Jornalistas e moradores que estavam nas proximidades precisaram se afastar. 

A corporação, junto da Polícia Civil e a Polícia Militar, concedem, no início da tarde desta quinta-feira (26), entrevista coletiva para apresentar um balanço atualizado e detalhar as ações após a tragédia que atingiu Juiz de Fora e Ubá entre a noite de segunda-feira (23) e a madrugada de terça-feira (24). Segundo a corporação, as equipes seguem mobilizadas nas áreas afetadas.

Ajuda externa

O Corpo de Bombeiros informou que haverá um repasse R$ 50 milhões destinados às cidades mais atingidas, como Matias Barbosa e Ubá. Desses, R$ 38.767 serão enviados para Juiz de Fora. Ainda haverá adiantamento de repasses para os municípios, totalizando R$ 90 milhões..

População é evacuada por risco de desabamento
Ana Julia Bellini/iG
População é evacuada por risco de desabamento

De acordo com os bombeiros, onze presos já estão empenhados nos trabalhos em Ubá. Outros dez devem começar amanhã, porque ainda há uma pendência judicial. A princípio, isso não será feito em Juiz de Fora.

"Por enquanto está sendo feito [somente em Ubá] porque o foco é maior. A gente tem uma peculiaridade em Juiz de Fora, que é um número maior de mortos, e essa frente operacional de bombeiros, de resgate, de busca é em Ubá. A gente tem um problema maior de infraestrutura lá. Está com acometimento um pouco mais sério no tocante, inclusive, ao trânsito local, que compromete o socorro das pessoas. As viaturas ficam também prejudicadas para acessar os locais mais críticos. Então a gente precisa restabelecer a normalidade lá a partir da limpeza das vias e de um restabelecimento do fluxo dentro de uma certa normalidade", esclareceu o bombeiro responsável.

Bairro Parque Burnier, em Juiz de Fora
Ana Julia Bellini/iG
Bairro Parque Burnier, em Juiz de Fora

A delegada-geral Letícia Gambois, chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, relatou que 45 pessoas já foram identificadas no Instituto Médico Legal (IML). 

"Inclusive hoje, com reforço importante de peritos criminais e médicos-legistas especializados em exames odonto-legais, como também em coleta de DNA. Com isso, nós teremos um posto na nossa Delegacia Regional Santa Terezinha para que haja a coleta desse material biológico."

Letícia diz que a principal dificuldade para a identificação desses corpos é a falta de documentação. A policial deixou orientações para quem vai saber se as vítimas são familiares ou não:

"É muito importante que os familiares também levem documentação dessas vítimas, caso as tenham, como exames, radiografia, tomografia, fotografias, inclusive de redes sociais que tenham a linha do sorriso, documentos odontológicos, além de se apresentarem para que possam ter a coleta do material biológico para o exame de DNA."

Parque Burnier, em Juiz de Fora
Ana Julia Bellini/iG
Parque Burnier, em Juiz de Fora

O Coronel Lúcio, comandante da Quarta Região de Polícia Militar, disse que a corporação apoia o Corpo de Bombeiros em diversos trabalhos, mesmo que não sejam diretamente funções de policiais militares. 

"O reforço do policiamento em locais onde as pessoas deixaram seus lares justamente para proteger o patrimônio daquelas pessoas que tiveram que sair para proteger as suas vidas."

Até o momento, a tragédia deixou 49 mortos em Juiz de Fora e seis em Ubá. Há ainda seis desaparecidos na primeira cidade e dois na segunda, de acordo com os dados oficiais divulgados na coletiva; mais de 120 foram resgatados com vida.

Chuvas em Matias Barbosa (MG)
Reprodução/redes sociais
Chuvas em Matias Barbosa (MG)

As cidades de  Matias Barbosa (MG) e  Senador Firmino (MG)  também registraram inundações, deslizamentos, alagamentos e desabamentos, segundo balanço divulgado pelo governo de Minas Gerais durante coletiva.

Juiz de Fora

A maior cidade da Zona da Mata mineira acordou na terça-feira (24) com mais de 10 mortes. Porém, nos dias seguintes, o número aumentou progressivamente, até chegar às 49 mortes na manhã desta quinta-feira (26). 

Inundação em Juiz de Fora (MG)
Reprodução/redes sociais
Inundação em Juiz de Fora (MG)

Há ainda 12 pessoas desaparecidas e mais de 3,5 mil desabrigadas, número que deve aumentar ao longo do dia após novo temporal atingir a cidade na noite de quarta-feira (25).

Segundo a Prefeitura, o volume registrado entre segunda e terça-feira foi de 190,8 mm no pluviômetro do bairro Nossa Senhora de Lourdes. Já entre quarta e quinta-feira, a precipitação chegou a 113 mm no pluviômetro da Cidade Universitária. 

Com isso, o volume total de chuvas apenas no mês de fevereiro chegou a 733 mm, o que representa 4,3 vezes a média esperada para o período. 

Nesta quinta, de acordo com a Prefeitura, chegam na cidade dez caminhões do Exército Brasileiro, juntamente com militares, para contribuirem na resolução de problemas causados pelas chuvas.

Devido aos estragos, a administração municipal suspendeu aulas e parcialmente o transporte público, além de recomendar que seus habitantes não saíssem de casa se não fosse necessário. 

A cidade tem um "desprevilégio" geográfico por ser rodeada de cadeia de montanhas, com altitude mínima de 467 km e máxima de 1.104, sendo uma espécie de "vale" onde há moradores no centro. As nuvens se acumulam e, com alta densidade, o que torna o município sucetivo para grandes desastres.

Temporal e chuvas em Juiz de Fora
Divulgação/Prefeitura de Juiz de Fora
Temporal e chuvas em Juiz de Fora

Juiz de Fora é uma das 10 cidades com mais pessoas em áreas de situação de risco para desastres naturais, de acordo com relatório de 2025 do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

O município tem 128.946 das 540.756 pessoas em situação de vunerabilidade para desastres naturais. O valor representa 23,85%.

O fenômeno fez com que um dos pontos mais conhecidos da cidade sofresse com deslizamento, o que acarretou em desabamentos de casas próximas ao Morro do Cristo.

A Prefeitura decretou 3 dias de luto, válidos desde a terça-feira (24).

Ubá

Desabamento em Ubá
Reprodução/redes sociais
Desabamento em Ubá

Ubá, cidade há 100 km de distância de Juiz de Fora, foi a segunda mais afetada em número de mortes na região. Segundo o   Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet),  o município acumulou cerca de 170 milímetros de precipitação entre segunda e terça-feira, volume considerado elevado para o intervalo registrado. 

Seis pessoas morreram no município, de acordo com a Polícia Militar. Um outro homem veio à óbito ao ser eletrocutado por fio solto em uma rua cheia de lama do Centro.

Em outro ponto, vídeos que circulam na internet mostra três idosas sendo resgatadas após uma casa de repouso alagar por conta da enxurrada.

Idosas são resgatadas de barco após enchente em casa de repouso
Reprodução/redes sociais
Idosas são resgatadas de barco após enchente em casa de repouso

O Cabo Martins, da Polícia Militar de Ubá, relatou ao  iG  que agora a atenção na cidade é máxima.

"Ubá está em situação de emergência por causa da enchente. Eu peço com toda a clareza, não é momento de curiosidade. Pessoas nas ruas estão atrapalhando os trabalhos das equipes e podem se tornar novas vítimas". 

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