
Subiu para 55 o número de mortes após um temporal que atingem a Zona da Mata mineira desde a segunda (23). Em Juiz de Fora (MG), foram contabilizados 49 óbitos até a última atualização desta reportagem. Já em Ubá (MG), há 100 km de distância, faleceram 6 pessoas.
Essas foram as únicas cidades da região a terem mortes por chuva, segundo informações foram confirmada pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e pela Polícia Militar ao iG nesta quinta-feira (26). Ainda há 14 pessoas desaparecidas após as chuvas, sendo 11 delas em Juiz de Fora e 2 em Ubá. Foram resgatados com vida mais de 120 pessoas nas cidades.
As cidades de Matias Barbosa (MG) e Senador Firmino (MG) também registraram inundações, deslizamentos, alagamentos e desabamentos, segundo balanço divulgado pelo governo de Minas Gerais durante coletiva.
Juiz de Fora

A maior cidade da Zona da Mata mineira acordou na terça-feira (24) com mais de 10 mortes. Porém, nos dias seguintes, o número aumentou progressivamente, até chegar às 49 mortes o início da tarde desta quinta-feira (26).
Há ainda 11 pessoas desaparecidas e mais de 3,5 mil desabrigadas, número que deve aumentar ao longo do dia após novo temporal atingir a cidade na noite de quarta-feira (25).
Segundo a Prefeitura, o volume registrado entre segunda e terça-feira foi de 190,8 mm no pluviômetro do bairro Nossa Senhora de Lourdes. Já entre quarta e quinta-feira, a precipitação chegou a 113 mm no pluviômetro da Cidade Universitária.
Com isso, o volume total de chuvas apenas no mês de fevereiro chegou a 733 mm, o que representa 4,3 vezes a média esperada para o período.
Nesta quinta, de acordo com a Prefeitura, chegam na cidade dez caminhões do Exército Brasileiro, juntamente com militares, para contribuirem na resolução de problemas causados pelas chuvas.
Devido aos estragos, a administração municipal suspendeu aulas e parcialmente o transporte público, além de recomendar que seus habitantes não saíssem de casa se não fosse necessário.
A cidade tem um "desprevilégio" geográfico por ser rodeada de cadeia de montanhas, com altitude mínima de 467 km e máxima de 1.104, sendo uma espécie de "vale" onde há moradores no centro. As nuvens se acumulam e, com alta densidade, o que torna o município sucetivo para grandes desastres.
Juiz de Fora é uma das 10 cidades com mais pessoas em áreas de situação de risco para desastres naturais, de acordo com relatório de 2025 do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O município tem 128.946 das 540.756 pessoas em situação de vunerabilidade para desastres naturais. O valor representa 23,85%.
O fenômeno fez com que um dos pontos mais conhecidos da cidade sofresse com deslizamento, o que acarretou em desabamentos de casas próximas ao Morro do Cristo.
A Prefeitura decretou 3 dias de luto, válidos desde a terça-feira (24).
Ubá

Ubá, cidade há 100 km de distância de Juiz de Fora, foi a segunda mais afetada em número de mortes na região. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o município acumulou cerca de 170 milímetros de precipitação entre segunda e terça-feira, volume considerado elevado para o intervalo registrado.
Seis pessoas morreram no município, de acordo com a Polícia Militar. Um outro homem veio à óbito ao ser eletrocutado por fio solto em uma rua cheia de lama do Centro.
Em outro ponto, vídeos que circulam na internet mostra três idosas sendo resgatadas após uma casa de repouso alagar por conta da enxurrada.
O Cabo Martins, da Polícia Militar de Ubá, relatou ao iG que agora a atenção na cidade é máxima.
"Ubá está em situação de emergência por causa da enchente. Eu peço com toda a clareza, não é momento de curiosidade. Pessoas nas ruas estão atrapalhando os trabalhos das equipes e podem se tornar novas vítimas".